- Viagem proibida a Camboja: risco de sequestro
- Rede fraudulenta acumula US$ 15 bi em criptos
- Sanções visam Prince Group e bens em Londres
Após uma recente onda de sequestros vinculados a operações de fraude online, a Coreia do Sul instituiu uma proibição de viagem para certas regiões no Camboja. Paralelamente, o Tesouro dos EUA, em colaboração com o Reino Unido, denunciou uma rede multibilionária de golpes com criptomoedas, implicando conglomerados cambojanos em sanções, apreensões de bens e denúncias judiciais.
Desde esta semana, cidadãos sul-coreanos estão vetados de visitar áreas como a montanha Bokor, na província de Kampot, local onde foi encontrado o corpo de um estudante coreano que supostamente foi mantido e torturado por um grupo criminoso local. O endurecimento da política de viagens surge após relatos de 330 cidadãos sul-coreanos terem sido sequestrados ou detidos contra a vontade nos primeiros oito meses de 2025, para forçar trabalho em complexos clandestinos que operam fraudes online.
Dentro desses centros, vítimas — muitas vezes de nacionalidades variadas — são coagidas a aplicar golpes do tipo “pig-butchering” e outras fraudes em criptomoedas utilizando ferramentas como inteligência artificial, chatbots e troca de rosto. Estima-se que cerca de 200 mil indivíduos trabalhem nessas instalações, entre os quais aproximadamente 1.000 são coreanos, segundo o conselheiro de segurança nacional Wi Sung-lac.
Há casos peculiares entre os envolvidos: alguns foram atraídos voluntariamente ao Camboja e, ao tentar deixar o país, foram impedidos de retornar. “In a sense, they are both victims and offenders at the same time,” declarou Wi.
Para conter a crise diplomática, Seul enviou uma delegação interinstitucional a Phnom Penh. O primeiro-ministro cambojano Hun Manet manifestou “regret and sorrow” pela morte do estudante sul-coreano e se comprometeu a “arrest the suspects currently at large and to protect South Korean nationals in Cambodia.” Apesar disso, há indícios de conivência local: autoridades policiais cambojanas teriam recusado fechar os complexos fraudulentos, mesmo diante de denúncias de abusos de direitos humanos.
No plano internacional, o Tesouro dos EUA identificou o conglomerado Prince Group como operador de uma rede de golpes com criptomoedas e afirmou ter apreendido cerca de 127.271 bitcoins, equivalentes a aproximadamente US$ 15 bilhões, controlados por Chen Zhi, acusado de liderar os esquemas. As acusações incluem conspiração para fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
O esquema também envolve a DW Capital, escritório familiar em Singapura ligado a Chen, suspeito de lavar bilhões em criptomoedas por meio de investimentos fraudulentos. As autoridades singapurenses investigam possíveis violações relacionadas a incentivos fiscais concedidos.
Chen permanece foragido e enfrenta até 40 anos de prisão se condenado. Enquanto isso, o impacto sobre o ecossistema cripto global amplia a pressão por ações internacionais contra fraudes com criptomoedas e tráfico humano.














