- Coreia do Sul reforça regras para corretoras de criptomoedas
- Bithumb erra envio de Bitcoin e acelera fiscalização
- Novas regras exigem auditoria frequente em criptos
A Coreia do Sul decidiu apertar a supervisão sobre corretoras de criptomoedas após um erro operacional de grandes proporções envolvendo a Bithumb. A mudança ocorre depois que a plataforma enviou, por engano, bilhões em Bitcoin a centenas de usuários durante uma campanha promocional, levantando preocupações sobre controles internos no setor.
O incidente ocorreu em fevereiro de 2026, quando cerca de 620 mil Bitcoins foram distribuídos indevidamente para 249 contas. Apesar da rápida resposta da empresa, que conseguiu recuperar aproximadamente 99,7% dos valores no mesmo dia, o episódio evidenciou fragilidades operacionais relevantes.
A investigação conduzida pelas autoridades revelou diferenças significativas nos padrões de controle entre as corretoras locais. Enquanto algumas plataformas realizavam reconciliações frequentes de seus ativos, outras operavam com verificações diárias, aumentando o risco de falhas sistêmicas.
Diante disso, a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) anunciou um novo conjunto de regras que entra em vigor em maio de 2026. As medidas obrigam as corretoras a comparar seus registros internos com os saldos reais em blockchain a cada cinco minutos. Caso haja divergências relevantes, as operações devem ser interrompidas automaticamente.
Além disso, as plataformas precisarão divulgar relatórios diários de reconciliação e passar por auditorias externas mensais. Também será exigida uma revisão semestral dos sistemas de controle interno, com envio direto dos resultados às autoridades reguladoras.
O endurecimento ocorre em um mercado que já movimenta cerca de 70 trilhões de won, equivalente a aproximadamente US$ 51 bilhões, com mais de 11 milhões de investidores. Nesse contexto, intervalos longos de verificação passaram a ser vistos como risco estrutural.
Paralelamente, o governo sul-coreano avançou na abertura do mercado para investidores institucionais, encerrando restrições em vigor desde 2017. Empresas poderão negociar criptomoedas com limites definidos e foco nos principais ativos listados localmente.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios regulatórios. Propostas envolvendo ETFs de criptomoedas e stablecoins em moeda local seguem travadas por divergências entre órgãos reguladores, o que pode atrasar novos produtos no mercado até o final de 2026.














