- Coreia do Sul pune manipulação de mercado com criptomoedas
- CEO recebe prisão por inflar volume de token
- Lei de ativos virtuais estreia com condenação histórica
Um tribunal da Coreia do Sul condenou o CEO de uma empresa local de gestão de criptomoedas a três anos de prisão por manipular o preço de um token digital. A decisão marca a primeira aplicação prática da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais, em vigor desde julho de 2024.
A sentença foi proferida pelo Tribunal Distrital do Sul de Seul, que considerou que o executivo, identificado como Jong-hwan Lee, realizou operações destinadas a distorcer artificialmente o mercado. Segundo o processo, ele teria obtido ganhos indevidos equivalentes a 7,1 bilhões de won sul-coreanos.
Além da pena de prisão, o tribunal determinou o pagamento de multa de 500 milhões de won e o confisco de cerca de 846 milhões de won em bens relacionados às atividades ilegais. Apesar da condenação, o juiz optou por não decretar prisão imediata, citando o comportamento do réu durante o julgamento.
As investigações apontaram que, entre julho e outubro de 2024, Lee utilizou um programa automatizado de negociação para inflar volumes e executar transações simuladas. A prática teria como objetivo criar a impressão de forte demanda pela criptomoeda ACE, elevando seu preço no mercado.
Dados apresentados no processo indicam que o volume médio diário de negociações do token era de aproximadamente 160 mil unidades antes da suposta manipulação. Após o início das operações automatizadas, esse número saltou para cerca de 2,45 milhões de unidades, sendo que Lee teria sido responsável por grande parte da atividade.
“Este é um crime grave que impede a formação de preços justos no mercado de ativos virtuais e mina a confiança dos investidores”,
firmou o tribunal na notícia traduzida.
“Uma pena rigorosa é necessária, pois ele não demonstrou compreensão da gravidade de seus atos nem remorso.”
Outro envolvido, Min-cheol Kang, ex-funcionário da mesma empresa, recebeu pena de dois anos de prisão com três anos de liberdade condicional. O tribunal entendeu que ambos atuaram em conjunto para manipular o mercado de criptomoedas.
Embora a acusação tenha alegado lucros totais de 7,1 bilhões de won, parte desse valor foi desconsiderada por falta de provas suficientes. Ainda assim, a decisão estabelece um precedente relevante para a fiscalização do mercado de criptomoedas no país, em meio ao desenvolvimento de novas regras para o setor.














