- SEC reduz ações contra criptomoedas após mudança política
- Congresso questiona independência regulatória da SEC
- Caso Justin Sun amplia pressão sobre fiscalização
Parlamentares democratas ampliaram a pressão sobre a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), alegando que o órgão regulador vem recuando silenciosamente na supervisão do mercado de criptomoedas. O movimento ocorre em um período em que decisões regulatórias, influência política e confiança dos investidores estão cada vez mais conectadas.
O que começou como uma crítica pontual a um processo interrompido rapidamente se transformou em um questionamento mais amplo sobre a condução da SEC sob a liderança de Paul Atkins. De acordo com os congressistas, mais de uma dúzia de investigações e ações judiciais envolvendo criptomoedas foram suspensas, arquivadas ou encerradas por acordos, indicando uma mudança relevante em relação à postura anterior do órgão.
O timing dessas decisões é considerado sensível pelos parlamentares. A redução das ações de fiscalização coincidiu com a posse de Donald Trump como atual presidente dos Estados Unidos. Esse contexto levou os democratas a questionarem se as decisões da SEC seguem critérios técnicos ou se refletem o novo ambiente político em Washington.
Casos de grande visibilidade no setor também perderam força recentemente. Processos envolvendo empresas como Binance, Coinbase e Kraken são citados como exemplos. Segundo os parlamentares, alguns desses casos já haviam avançado em etapas importantes, incluindo decisões judiciais que reconheceram indícios de fraude.
Na avaliação dos legisladores, interromper ou encerrar esses processos pode reduzir o efeito dissuasório da fiscalização. Eles alertam que a aplicação desigual das regras tende a incentivar práticas mais arriscadas no mercado de criptomoedas, especialmente entre investidores menos experientes.
O debate é intensificado pelo crescimento das doações políticas feitas por empresas do setor. Parlamentares apontam contribuições milionárias de companhias como Coinbase e Ripple para eventos ligados ao governo Trump. Embora não haja acusações diretas de irregularidades, os democratas argumentam que a proximidade entre financiamento político e flexibilização regulatória compromete a imagem de neutralidade da SEC.
O ponto central da disputa é o processo administrativo contra Justin Sun, fundador da Fundação TRON. O caso está sem desfecho há quase um ano, apesar de Sun continuar sob investigação. Durante esse período, ele teria ampliado laços financeiros com projetos associados a iniciativas ligadas ao governo Trump, incluindo empreendimentos vinculados à World Liberty Financial.
Além das questões regulatórias, parlamentares levantaram preocupações de segurança nacional, citando vínculos anteriores de Sun com programas ligados ao governo chinês. Para eles, a demora na condução do caso transmite sinais negativos ao mercado e enfraquece a confiança na aplicação das leis.
A deputada Maxine Waters afirmou que mudanças abruptas na fiscalização podem gerar a percepção de decisões desconectadas da proteção ao investidor. Diante disso, os democratas solicitaram que a SEC preserve comunicações internas e externas relacionadas ao caso, sinalizando que o escrutínio do Congresso sobre a atuação da agência no setor de criptomoedas tende a se intensificar.












