- Coinbase pressiona Congresso por recompensas em stablecoins
- Lei CLARITY pode impactar receitas com USDC
- Debate regulatório pode atrasar marco cripto nos EUA
A Coinbase estabeleceu um limite claro nas negociações políticas em torno da Lei CLARITY, principal proposta em debate no Congresso dos Estados Unidos para definir a estrutura de mercado das criptomoedas. A corretora sinalizou que pode retirar seu apoio ao projeto caso o texto final imponha restrições às recompensas pagas em stablecoins, prática considerada estratégica para o modelo de negócios da empresa.
O alerta surgiu às vésperas da análise do projeto no Senado, em um momento em que parlamentares tentam consolidar um acordo amplo sobre regras para plataformas de negociação, emissores e intermediários do setor cripto. Nos bastidores, representantes da Coinbase indicaram que aceitariam exigências adicionais de transparência, mas não uma proibição direta às recompensas vinculadas a stablecoins.
O principal ponto de tensão envolve o USD Coin (USDC). A Coinbase compartilha a receita de juros gerada pelas reservas que lastreiam a stablecoin emitida pela Circle e utiliza parte desses recursos para oferecer incentivos aos usuários. Entre eles estão recompensas que podem chegar a cerca de 3,5% para determinados clientes do serviço Coinbase One.
Esses incentivos funcionam como um estímulo para que usuários mantenham saldos em stablecoins na plataforma, garantindo fluxo de receita mesmo em períodos de menor volume de negociações. Estimativas do mercado indicam que as receitas relacionadas a stablecoins podem ter alcançado aproximadamente US$ 1,3 bilhão em 2025, reforçando a relevância do tema para a corretora.
Algumas propostas discutidas em Washington defendem que apenas bancos ou instituições financeiras tradicionais possam oferecer produtos com rendimento atrelado a stablecoins. O setor bancário apoia essa linha, argumentando que contas remuneradas em criptos poderiam deslocar depósitos do sistema financeiro convencional e reduzir a oferta de crédito.
O debate ocorre poucos meses após a aprovação do GENIUS Act, que criou a primeira estrutura federal para emissores de stablecoins. A legislação proibiu o pagamento de juros diretamente pelos emissores, mas permitiu que plataformas terceiras oferecessem recompensas aos usuários. Executivos do setor afirmam que essa distinção foi deliberada e que uma mudança agora criaria insegurança regulatória.
A Coinbase também sustenta que as recompensas ajudam a ampliar o uso do dólar no ambiente digital global, especialmente enquanto outros países avançam com moedas digitais remuneradas. Com forte atuação política recente, a empresa exerce influência relevante nas discussões, e sua eventual retirada de apoio pode enfraquecer o consenso em torno da Lei CLARITY.
Enquanto alguns senadores avaliam soluções intermediárias, como limitar recompensas a empresas com licenças bancárias ou fiduciárias, o impasse reforça o risco de atrasos. Analistas do setor avaliam que, sem apoio consistente da indústria de criptomoedas, a aprovação do projeto ainda em 2025 se torna mais difícil.













