- China suspende bloqueio de exportação para a Índia
- Índia e China buscam estabilidade em meio a tarifas dos EUA
- Relações bilaterais aquecem com avanço no comércio de terras raras
A China decidiu retirar as restrições à exportação de ímãs de terras raras destinados à Índia, coincidindo com a visita diplomática do ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, a Nova Déli. A medida, considerada estratégica, ocorre em um momento de intensificação da disputa comercial com os Estados Unidos, liderados pelo atual presidente Donald Trump.
Durante sua passagem pela Índia, Wang se reuniu com seu homólogo Subrahmanyam Jaishankar. Sem mencionar diretamente Washington, afirmou que China e Índia “devem encontrar maneiras de coexistir em um cenário de intimidação unilateral” e que ambos os países deveriam se enxergar como “parceiros e oportunidades, em vez de adversários ou ameaças”.
Jaishankar declarou que as duas potências estão tentando seguir adiante após “um período difícil no relacionamento”, reforçando que “diferenças não devem se tornar disputas, nem conflitos competitivos”.
Na continuação das conversas diplomáticas, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi recebeu Wang e destacou o “progresso constante e positivo” nas relações bilaterais. Ele também confirmou sua ida à China para a próxima cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, o que marcará sua primeira visita ao país em sete anos.
As tensões entre Índia e China chegaram ao auge em 2020, quando um confronto na fronteira do Himalaia resultou em mortes de soldados de ambos os lados. Desde então, as nações mantiveram presença militar reforçada na região, apesar de terem firmado um novo acordo de patrulhamento em outubro passado.
Recentemente, sinais de retomada diplomática têm se intensificado. A Índia permitiu que peregrinos visitassem locais religiosos no Tibete, e voltou a emitir vistos de turismo para cidadãos chineses. Wang também se reuniu com o Conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, que reconheceu maior substância nas relações bilaterais e uma fronteira pacífica.
Por trás dessas movimentações está a política tarifária agressiva dos Estados Unidos. O governo Trump impôs tarifas de 25% sobre importações indianas e ameaça dobrar essa taxa, aproximando o nível de taxação imposto a produtos chineses. Analistas apontam que essa pressão tem impulsionado uma reaproximação estratégica entre China e Índia.
Com um comércio bilateral de aproximadamente US$ 130 bilhões — comparável ao volume entre Índia e EUA, mas com saldo amplamente favorável a Pequim —, a Índia depende fortemente de componentes eletrônicos chineses. Para autoridades indianas, aprofundar o comércio com a China pode acelerar a industrialização doméstica.
Mesmo com a aproximação em curso, Nova Déli afirma manter interesse na parceria com os Estados Unidos e que os encontros atuais com a China foram planejados com antecedência, não sendo resposta direta à política comercial de Trump. No entanto, questões sensíveis como a presença do Dalai Lama na Índia continuam sendo fonte de desconforto para Pequim.














