- CSRC pede pausa em tokenização de ativos do mundo real
- Medida afeta corretoras chinesas atuando em Hong Kong
- Mercado global de RWA pode atingir US$ 30 trilhões
A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) orientou grandes corretoras a suspenderem seus projetos de tokenização de ativos do mundo real (RWA) em Hong Kong. A medida, segundo fontes, tem caráter informal e busca reforçar a gestão de riscos, exigindo que transações tokenizadas sejam sustentadas por operações comerciais efetivas.
De acordo com a Reuters, pelo menos duas corretoras já foram contatadas nas últimas semanas, o que pode desacelerar emissões de RWA na região. Ainda não há clareza sobre o tempo dessa pausa ou se mais empresas receberão o mesmo direcionamento do regulador.
A tokenização de RWA transforma ativos tradicionais, como ações, títulos, fundos e imóveis, em tokens negociáveis onchain. Hong Kong tem incentivado esse mercado, integrando-o ao seu plano de licenciamento de atividades com criptomoedas e desenvolvimento de stablecoins. Em contraste, a China continental mantém cautela desde a proibição de negociação e mineração de criptomoedas em 2021.
O pedido ocorre após medidas anteriores de Pequim para conter o entusiasmo com ativos digitais. Em agosto, reguladores solicitaram que corretoras evitassem publicar pesquisas positivas sobre stablecoins, em resposta à crescente demanda impulsionada pelo novo arcabouço de Hong Kong.
A decisão chinesa acontece enquanto outras jurisdições intensificam esforços em tokenização. A Comissão Europeia prepara políticas para RWA, enquanto o London Stock Exchange Group lançou uma plataforma blockchain para fundos privados. Dubai também aprovou um fundo de mercado monetário tokenizado, e empresas como Binance e Franklin Templeton firmaram parcerias em projetos semelhantes.
Apesar da postura mais restritiva da China, o setor de RWA segue em expansão. Estimativas indicam que produtos tokenizados já superam US$ 13 bilhões em valor, com bancos como Standard Chartered e Citi projetando que esse mercado pode ultrapassar US$ 30 trilhões até 2030.
Autoridades chinesas, no entanto, avaliam alternativas como stablecoins lastreadas em yuan para uso internacional. Ex-banqueiros centrais do país também levantam questionamentos sobre a necessidade de ampliar a adoção de stablecoins globais.
O contraste entre o impulso de Hong Kong para consolidar-se como centro de ativos digitais e a prudência de Pequim ressalta a divisão estratégica no tratamento da tokenização de ativos do mundo real.














