O cerco regulatório da China ao mercado de criptomoedas voltou a se intensificar após uma sequência de reuniões de alto nível lideradas pelo Banco Popular da China (PBOC). As autoridades reforçaram a política de tolerância zero contra moedas virtuais e direcionaram novas ordens para combater o uso de stablecoins em pagamentos e transferência internacional de recursos. O movimento ocorre enquanto o Bitcoin opera pressionado, cotado a US$ 87.386,42, com queda de 4%, refletindo o impacto imediato da postura chinesa e o clima global de maior aversão ao risco.
Neste artigo, vamos discutir:
China mira stablecoins usadas para burlar controles de capital
Embora a negociação pública de criptomoedas esteja proibida desde 2021, reguladores afirmam que o uso de ativos digitais — especialmente stablecoins — voltou a crescer em operações cotidianas. Segundo autoridades chinesas, esses tokens estão sendo usados para escapar da supervisão financeira, facilitar transferências internacionais clandestinas e ocultar a identidade de envolvidos em esquemas ilegais.
O alerta ganhou força após uma reunião realizada pelo Banco Popular da China com tribunais, órgãos de cibersegurança e autoridades de segurança pública. Fontes internas classificaram o encontro como uma reunião estratégica, cujo objetivo principal foi reforçar que tokens digitais não possuem status de moeda e que utilizá-los para pagamentos, investimentos ou liquidação de dívidas constitui atividade ilegal no país.
Reguladores alegam que, apesar da forte repressão de 2021 ter reduzido a especulação, o mercado clandestino voltou a crescer e exige monitoramento constante de carteiras, operações OTC e plataformas offshore que atendem usuários chineses.
Reunião nacional reforça proibição total das moedas virtuais
Em 28 de novembro de 2025, o PBOC liderou uma videoconferência nacional reunindo representantes do Supremo Tribunal Popular, Procuradoria, Ministério da Segurança Pública e demais órgãos reguladores. A diretriz foi explícita: todas as atividades envolvendo moedas virtuais continuam proibidas, incluindo Bitcoin, Ethereum e todas as formas de stablecoins.
As stablecoins, em particular, foram classificadas como o principal vetor de risco por não cumprirem requisitos adequados de KYC/AML e por facilitarem arrecadação ilegal, lavagem de dinheiro e evasão de controles de capital. As instituições financeiras receberam ordens para:
- bloquear canais de pagamento ligados a criptoativos;
- congelar contas suspeitas;
- intensificar investigações sobre OTCs, P2Ps e corretoras offshore;
- reportar imediatamente qualquer movimentação irregular.
Embora não se trate de uma nova legislação, o governo sinaliza uma nova onda de fiscalização, afirmando que a repressão permanecerá contínua enquanto atividades clandestinas persistirem.
Mineração de Bitcoin e mercado clandestino continuam ativos na China
Mesmo com proibições rígidas desde 2017 e reforçadas em 2021, a China ainda aparece como um dos polos relevantes na mineração global. Dados recentes citados por autoridades indicam que o país pode responder por cerca de 14% do hash rate do Bitcoin, impulsionado por operações secretas em regiões remotas.
As autoridades destacam que a continuidade dessas atividades reforça a necessidade de ações mais severas e integração entre diferentes departamentos governamentais.
Yuan digital avança como única moeda digital autorizada
Enquanto restringe o uso de criptomoedas privadas, a China acelera a expansão do e-CNY, o yuan digital. Até setembro de 2025, o projeto-piloto:
- alcançou 26 localidades em 17 províncias;
- registrou 3,32 bilhões de transações;
- atingiu um volume acumulado de ¥ 14,2 trilhões (aprox. US$ 2 trilhões).
Segundo o governo, limitar o uso de criptomoedas é fundamental para garantir a implementação segura do e-CNY e preservar a soberania monetária.
China e Estados Unidos seguem caminhos opostos
A ofensiva chinesa contrasta com a postura mais receptiva dos Estados Unidos. Sob a administração de Donald Trump, Washington busca consolidar o país como um centro global de inovação financeira, enquanto Pequim adota medidas cada vez mais rígidas para impedir a circulação de criptoativos dentro de suas fronteiras.
Essa divergência regulatória deve moldar o rumo da indústria nos próximos anos: de um lado, mercados abertos e regulados; de outro, uma superpotência que protege sua infraestrutura monetária e combate o uso de ativos digitais privados.














