- China suspende entregas da Boeing por tarifas dos EUA
- Disputa comercial afeta mercado de aeronaves e peças
- Valor da Boeing cai 7% com tensões comerciais crescentes
As tensões entre China e Estados Unidos se intensificaram após a decisão do governo chinês de interromper temporariamente as novas entregas de jatos Boeing às companhias aéreas do país. A medida afeta principalmente a entrega de cerca de 10 aeronaves do modelo 737 Max, que já estavam previstas para o mercado chinês.
Segundo fontes próximas ao assunto, exceções poderão ocorrer caso os contratos e pagamentos tenham sido concluídos antes da entrada em vigor das novas tarifas impostas por Pequim. A decisão acontece em resposta direta às recentes tarifas aplicadas pelos EUA sobre produtos chineses, que podem chegar a 145%. Como retaliação, a China adotou tarifas de até 125% sobre uma série de importações americanas, incluindo aeronaves e peças relacionadas.
Além de interromper novas compras, a diretiva também orienta as companhias aéreas a evitarem a aquisição de equipamentos aeronáuticos fabricados nos EUA. No entanto, o governo chinês poderá intervir para facilitar o aluguel de aeronaves da Boeing, como forma de reduzir os impactos financeiros às companhias nacionais.
A Boeing, que já enfrentava um ano difícil, viu seu valor de mercado recuar cerca de 7% até o momento, refletindo a crescente preocupação dos investidores. O diretor financeiro da fabricante, Brian West, reconheceu recentemente que as tarifas podem comprometer o fornecimento de peças, gerando atrasos na produção e aumento nos custos operacionais.
A companhia aérea Ryanair, importante cliente da Boeing, também demonstrou preocupação. De acordo com o CEO Michael O’Leary, os custos mais altos podem levar ao adiamento de entregas previstas para o segundo semestre de 2025, sendo postergadas para o início de 2026.
Enquanto isso, a europeia Airbus, concorrente direta da Boeing, monitora o impacto da disputa, relatando dificuldades no fornecimento de componentes essenciais, especialmente os fornecidos pela americana Spirit AeroSystems, o que afeta a produção dos modelos A350 e A220.
Mesmo após o anúncio de suspensão de novas tarifas por parte do ex-presidente Donald Trump, nenhuma medida concreta foi tomada para aliviar a tensão, o que mantém a instabilidade no setor aeronáutico global.














