- Futian lança título RWA público em Ethereum
- Emissão avaliada em 500 milhões de yuans
- China mantém restrições, mas adota tokenização seletiva
A estatal chinesa Futian Investment Holding, sediada em Shenzhen, anunciou em 1º de setembro a emissão do primeiro título público de ativos do mundo real (RWA) registrado em blockchain. O instrumento financeiro foi estruturado na rede Ethereum e representa um marco para a tokenização de dívida corporativa no país.
O acordo, datado de 29 de agosto, prevê títulos offshore emitidos em Hong Kong no valor de 500 milhões de yuans (aproximadamente US$ 69 milhões). Os papéis têm vencimento em dois anos e pagam juros anuais de 2,62%. O objetivo declarado é ampliar os canais de financiamento global e modernizar a estrutura de capital da companhia por meio da tecnologia blockchain.
Em comunicado oficial, a Futian destacou:
“Essa mudança não só ajuda a empresa a ampliar ainda mais seus canais de financiamento globais e otimizar sua estrutura de capital, mas também alavanca totalmente os dividendos políticos de Hong Kong, injetando um sólido impulso empresarial estatal no desenvolvimento de alta qualidade do Distrito de Futian.”
Apesar do avanço, o título RWA continua sendo um instrumento tradicional, apenas tokenizado. Portanto, não representa uma flexibilização da política chinesa em relação às criptomoedas. Desde 2021, o país mantém uma proibição abrangente sobre mineração e transações de cripto, citando riscos à estabilidade financeira e ao consumo energético.
Ainda assim, a China tem buscado explorar usos específicos da tecnologia blockchain e da tokenização em setores estratégicos. Além de iniciativas como a moeda digital do banco central (e-CNY), autoridades locais analisam o impacto das stablecoins, especialmente as atreladas ao dólar, que atualmente dominam os mercados globais.
A emissão da Futian posiciona Hong Kong como um centro regional para inovações financeiras baseadas em blockchain, alinhado à sua estratégia de competir com Singapura como hub de tokenização e ativos digitais na Ásia. Ao adotar a Ethereum, a estatal sinaliza também uma abertura para explorar redes públicas em vez de apenas blockchains permissionadas, normalmente preferidas por instituições chinesas.
Esse movimento reforça a tendência global de tokenização de ativos reais, prática já explorada em países como Cingapura, Japão, Alemanha e Suíça, onde bancos e empresas vêm emitindo títulos, fundos e instrumentos de dívida em blockchain.














