- China estuda stablecoin de yuan para liquidações internacionais
- Stablecoins em dólar representam 99% da oferta global
- Hong Kong será centro de testes regulatórios e emissão
A China está avaliando pela primeira vez a criação de stablecoins lastreadas em yuan, em um movimento que pode redefinir o equilíbrio no mercado global dominado por tokens vinculados ao dólar. De acordo com informações da Reuters, o Conselho de Estado deve revisar ainda neste mês um roteiro estratégico para internacionalização da moeda chinesa e uso de stablecoins.
O plano prevê atribuição de responsabilidades regulatórias, definição de controles de risco e papel central do Banco Popular da China (PBOC) na implementação. As primeiras iniciativas devem ocorrer em Hong Kong e Xangai, regiões vistas como hubs estratégicos para a fase piloto.
A iniciativa marca um afastamento da rígida política de 2021, quando o país proibiu a negociação e mineração de criptomoedas. O objetivo atual é ampliar o peso do yuan nos pagamentos internacionais, em um cenário em que mais de 99% da oferta global de stablecoins está atrelada ao dólar.
Entre os pontos centrais do roteiro, estão limites ao uso comercial e discussões sobre a expansão da moeda chinesa no comércio internacional, que também será tema da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, em Tianjin, no fim de agosto.
Um desafio permanece nos controles de capital que restringem como tokens referenciados ao yuan podem circular fora do território continental. Atualmente, a participação do yuan nos pagamentos globais é de apenas 2,88%, segundo dados da SWIFT de junho, abaixo dos picos de 2023.
Hong Kong desponta como local chave para experimentação, já que o regime de licenciamento para emissores de stablecoins fiduciárias entrou em vigor em 1º de agosto. A HKMA publicou diretrizes sobre supervisão, prevenção à lavagem de dinheiro e aplicação regulatória, abrindo caminho para empresas solicitarem licenças — entre elas, a Ant International já demonstrou interesse.
O mercado global de stablecoins, atualmente em torno de US$ 200 bilhões, tem projeções divergentes. Enquanto algumas estimativas apontavam para US$ 2 trilhões até 2028, o JP Morgan reduziu a previsão para US$ 500 bilhões, destacando que pagamentos representam apenas parte da demanda.
Para que um token de yuan alcance escala, será necessário garantir transparência, resgates ao par e reservas sólidas, além de integrar-se ao projeto do e-CNY, já em testes. O design operacional da stablecoin decidirá seu papel no comércio internacional e na gestão financeira chinesa.














