- China alerta riscos de segurança do OpenClaw
- Empresas estatais evitam instalação do software OpenClaw
- Ferramenta de IA levanta preocupações sobre vazamento de dados
Autoridades chinesas começaram a orientar funcionários de órgãos governamentais e empresas estatais a evitarem o uso do OpenClaw, uma ferramenta baseada em inteligência artificial que ganhou rápida popularidade no país.
A recomendação surgiu após autoridades levantarem preocupações sobre possíveis riscos de segurança e exposição de dados sensíveis.
De acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto, alertas internos foram enviados nos últimos dias instruindo trabalhadores a não instalar o OpenClaw em dispositivos corporativos.
Em alguns casos, as orientações também incluem computadores e celulares pessoais utilizados por funcionários que lidam com informações estratégicas.
Uma fonte afirmou que trabalhadores de empresas estatais receberam recomendações diretas de órgãos reguladores para evitar completamente o uso da ferramenta.
Já outra fonte, ligada a uma agência governamental chinesa, disse que em seu departamento não houve uma proibição formal, mas os funcionários foram advertidos sobre possíveis riscos e instruídos a não instalar o software.
O Centro Nacional de Coordenação/Equipe Técnica de Resposta a Emergências em Redes de Computadores da China (CNCERT/CC) também publicou um alerta de segurança relacionado ao OpenClaw.
Segundo o órgão, a instalação e o uso inadequados da ferramenta já levantaram diversas preocupações envolvendo segurança digital.
Entre os principais riscos citados está a chamada “injeção de instruções”. Nesse tipo de ataque, invasores inserem comandos maliciosos ocultos em páginas da internet.
Caso o OpenClaw interprete essas instruções, o sistema pode ser induzido a revelar dados confidenciais, incluindo chaves de acesso ou outras informações críticas.
Outro problema apontado pelo CNCERT/CC envolve a possibilidade de “operação incorreta”.
Nessas situações, o software pode interpretar comandos de maneira equivocada e acabar excluindo dados importantes por engano, como e-mails ou registros essenciais de produção.
O OpenClaw foi criado pelo desenvolvedor austríaco Peter Steinberger e disponibilizado no GitHub em novembro do ano passado.
No mês passado, Steinberger passou a integrar a equipe da OpenAI. Na China, a ferramenta rapidamente ganhou destaque entre empresas de tecnologia e usuários.
A expressão “criar uma lagosta”, inspirada no logotipo do aplicativo, passou a circular amplamente nas redes sociais chinesas.
Grandes empresas de tecnologia começaram a lançar produtos compatíveis com a ferramenta.
As ações da Tencent subiram 7,3% depois que a empresa anunciou soluções integradas ao OpenClaw.
A startup MiniMax também registrou forte valorização, com alta superior a 20%, refletindo o interesse dos investidores nesse tipo de tecnologia.
Outras companhias seguiram caminho semelhante.
A ByteDance apresentou o ArkClaw, uma versão baseada em nuvem que dispensa instalação local.
A Alibaba lançou o CoPaw, desenvolvido para funcionar com plataformas de comunicação corporativa como DingTalk e Feishu.
Já a Zhipu AI introduziu o AutoClaw, projetado para permitir uma configuração simples, semelhante à instalação de aplicativos comuns.
Governos locais também passaram a incentivar o uso da tecnologia.
O distrito de Longgang, em Shenzhen, apresentou uma proposta oferecendo serviços de implantação gratuitos e incentivos para empresas que adotarem soluções baseadas na ferramenta.
Na província de Jiangsu, o distrito de alta tecnologia de Wuxi anunciou subsídios entre 1 milhão e 5 milhões de yuans — aproximadamente entre US$ 144.774 e US$ 723.871 — para empresas que utilizarem o sistema.
Essas iniciativas fazem parte do plano “IA Plus”, estratégia do governo central voltada para acelerar o desenvolvimento de inteligência artificial em diversos setores da economia.
Apesar do entusiasmo, alguns usuários relatam problemas durante o uso da ferramenta.
Um centro de pesquisa ligado à comissão municipal de saúde de Shenzhen realizou recentemente um treinamento com milhares de participantes.
Durante o evento, surgiram reclamações relacionadas a controles de acesso limitados, confusão no gerenciamento de dados e interpretações incorretas de comandos.
Ainda não está claro até que ponto as recomendações de segurança poderão afetar programas públicos ou subsídios associados ao OpenClaw.
Segundo o jornal estatal Southern Daily, o distrito de Futian, também em Shenzhen, já teria utilizado o software para desenvolver um assistente digital voltado a funcionários públicos.














