- Goldman Sachs pede regulamentação clara para criptomoedas nos EUA
- Lei CLARITY pode avançar no Congresso até abril
- Bancos e cripto buscam integração regulatória
O CEO do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou que o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos precisa operar sob uma estrutura regulatória clara e baseada em regras. A declaração foi feita durante o Fórum Mundial da Liberdade, realizado em Mar-a-Lago, e reforça a visão de maior integração entre o sistema financeiro tradicional e os ativos digitais.
Em entrevista à CNBC, Solomon destacou que os legisladores devem adotar uma abordagem de longo prazo ao elaborar normas para o setor. Segundo ele, o objetivo não deve ser substituir o sistema bancário, mas permitir que ele evolua em conjunto com novas tecnologias.
O executivo também rejeitou a ideia de um ambiente sem supervisão para o setor. “Se há pessoas que pensam que vamos operar neste ambiente sem regras, provavelmente estão enganadas e deveriam se mudar para El Salvador”, disse Solomon.
Embora o banco acompanhe o desenvolvimento do segmento, o CEO ressaltou que as atividades ligadas a ativos digitais ainda representam uma parcela pequena das operações totais da instituição. Mesmo assim, o Goldman Sachs mantém iniciativas voltadas à digitalização de ativos e à tokenização de instrumentos financeiros.
As declarações ocorrem em meio às discussões em Washington sobre a Lei CLARITY, proposta que busca definir a estrutura regulatória para o mercado de criptomoedas. O senador Bernie Moreno afirmou que, apesar de ajustes pendentes, há expectativa de que o Congresso avance com a medida até abril.
Moreno também minimizou preocupações sobre possíveis mudanças no equilíbrio político após as eleições de meio de mandato, indicando confiança de que os republicanos manterão o controle das duas casas legislativas.
No setor privado, o CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, avaliou recentemente que há cerca de 80% de probabilidade de a legislação sobre a estrutura de mercado ser sancionada até o fim de abril. Segundo ele, o principal ponto em discussão envolve o tratamento das recompensas associadas às stablecoins e o alinhamento entre interesses de bancos e empresas de criptomoedas.
O debate regulatório ocorre em um momento de maior aproximação entre instituições financeiras tradicionais e o setor de ativos digitais. Para grandes bancos, um ambiente jurídico mais previsível é visto como essencial para ampliar a oferta de produtos relacionados a tokenização, custódia e serviços financeiros baseados em blockchain.













