- Baixa correlação reforça papel do Bitcoin como diversificador
- Alta do ouro costuma anteceder ciclos fortes do Bitcoin
- Escassez programada favorece Bitcoin no longo prazo
Cathie Wood, CEO da ARK Invest, avaliou no início de fevereiro de 2026 que a atual desconexão entre o Bitcoin e o ouro não deve ser vista como um sinal negativo. Para a gestora, a baixa correlação entre os dois ativos reforça uma leitura já observada em ciclos anteriores e pode indicar uma fase inicial de reposicionamento no mercado.
Wood destacou que, desde o período de 2019 e 2020, a correlação estatística entre Bitcoin e ouro permanece em torno de 0,14, patamar considerado muito baixo. Na prática, isso significa que os dois ativos deixaram de se mover de forma sincronizada. Enquanto o ouro renovou máximas históricas recentemente, o Bitcoin segue cerca de 50% abaixo de seu pico anterior, evidenciando uma divergência relevante.
Na visão da executiva, esse comportamento não representa uma ruptura do padrão histórico. Em ciclos anteriores, o ouro assumiu a dianteira nos movimentos de valorização, com o Bitcoin reagindo apenas meses depois. Segundo sua análise, o metal precioso tende a refletir primeiro um reposicionamento de risco mais conservador, enquanto o Bitcoin costuma responder em uma fase posterior, com movimentos mais intensos.
Gráficos citados por Wood indicam diversos momentos em que o ouro iniciou uma tendência de alta antes de o Bitcoin registrar fortes avanços. Nesses casos, a valorização do Bitcoin ocorreu com maior volatilidade e amplitude, reforçando a leitura de que a atual fraqueza relativa pode fazer parte de uma configuração já conhecida pelo mercado.
BITCOIN ISN’T TRACKING GOLD … AND THAT’S THE SIGNAL
Cathie Wood says:
– Bitcoin and gold have had a 0.14 correlation since 2019
– Gold has surged while Bitcoin is ~50% off its peak
– Historically, major gold moves have preceded large Bitcoin rallies pic.twitter.com/ybi5PZih87— Ark Invest Tracker (@ArkkDaily) February 7, 2026
Outro ponto central do argumento está na dinâmica de oferta. Wood ressaltou que a produção de ouro pode aumentar conforme os preços sobem, uma vez que mineradoras tendem a expandir operações diante de maiores incentivos econômicos. Já o Bitcoin possui um cronograma de emissão fixo, determinado por regras de protocolo imutáveis, independentemente das condições de mercado.
Essa característica sustenta a tese de que o Bitcoin apresenta uma escassez estrutural mais rígida do que a do ouro, especialmente em contextos de expansão monetária. Para a gestora, esse fator se torna ainda mais relevante quando investidores buscam proteção de longo prazo.
Em fevereiro de 2026, a ARK Invest também chamou atenção para o nível extremo do ouro em relação à oferta monetária M2 dos Estados Unidos, com a capitalização do metal variando entre 150% e 170%. Patamares semelhantes foram observados pela última vez durante a Grande Depressão. Historicamente, períodos como esse foram seguidos por fases em que outros ativos passaram a superar o desempenho do ouro.
Com base nesse conjunto de dados, Wood argumentou que investidores com perfil mais agressivo podem avaliar uma rotação gradual do ouro para o Bitcoin ao longo de 2026. O ativo digital foi descrito não como um substituto direto, mas como uma versão de maior volatilidade da mesma tese de escassez, com potencial de valorização assimétrico.
As métricas de diversificação apresentadas pela ARK Invest reforçam essa leitura. Entre 2020 e 2026, a correlação do Bitcoin com títulos ficou em 0,06, enquanto com o S&P 500 foi de 0,28. Esses números contrastam com correlações mais elevadas entre ativos tradicionais, indicando um comportamento distinto do Bitcoin em carteiras diversificadas.












