- Bitwise nega manipulação da Jane Street no Bitcoin
- ETFs e alavancagem explicam queda do Bitcoin
- Inverno cripto clássico, diz CIO da Bitwise
O diretor de investimentos da Bitwise, Matt Hougan, contestou publicamente as acusações de que a corretora Jane Street estaria por trás da recente queda do Bitcoin. Em publicação na rede X, em 26 de fevereiro, ele classificou o movimento como “um inverno cripto clássico”, afastando a tese de um suposto ataque coordenado ao mercado.
As declarações surgem em meio a ações judiciais e discussões que ganharam força nas redes sociais. O debate ocorre enquanto o Bitcoin é negociado mais de 46% abaixo de sua máxima histórica, reacendendo temores sobre manipulação e influência de grandes instituições.
Parte da especulação foi alimentada por um processo envolvendo o administrador da falência da Terraform Labs. A ação acusa a Jane Street de utilizar informações privilegiadas antes do colapso do ecossistema Terra-Luna, em maio de 2022. Segundo a denúncia, a empresa teria retirado 85 milhões de TerraUSD do pool 3pool da Curve poucos minutos após a Terraform movimentar 150 milhões de USD, sequência que, de acordo com o processo, acelerou a perda de cerca de US$ 40 bilhões em valor de mercado.
A Jane Street rejeitou as acusações, afirmando que se trata de uma “tentativa desesperada” de recuperação de perdas e atribuindo a responsabilidade pelo colapso à própria administração da Terraform.
Em paralelo, analistas como o perfil Bull Theory passaram a alegar que a corretora utilizaria um suposto algoritmo de venda às “10h da manhã” para pressionar o preço do Bitcoin e lucrar com derivativos. Também foi mencionada uma ordem cautelar da Securities and Exchange Board da Índia envolvendo suposta manipulação de índices entre janeiro de 2023 e março de 2025, caso que segue em disputa judicial.
Hougan rejeitou essas interpretações de forma direta. “As teorias da conspiração são absurdas”, escreveu. Para ele, a correção do Bitcoin decorre principalmente de investidores reduzindo posições alavancadas, realizando lucros e redirecionando capital para outras classes de ativos.
O CIO da Bitwise também citou análises de desempenho intradiário que apontam maior fraqueza em horários fora do pregão tradicional dos Estados Unidos, contrariando a narrativa de quedas sistemáticas às 10h. Outros estrategistas, como Alex Krüger, reforçaram a leitura de que participantes autorizados dos ETFs apenas realizam arbitragem entre mercados à vista, futuros e produtos negociados em bolsa.
Além das suspeitas direcionadas a empresas específicas, o debate se estende à própria estrutura dos ETFs de Bitcoin. Participantes autorizados podem criar e resgatar cotas em espécie e, em alguns casos, proteger exposição por meio de contratos futuros, o que levanta questionamentos sobre o impacto na demanda no mercado à vista.
Até o momento, não há comprovação de coordenação ilícita no mercado de Bitcoin. Para Hougan, a explicação mais plausível envolve o ciclo de quatro anos do ativo, ajustes de alavancagem e mudanças no posicionamento dos investidores diante das condições macroeconômicas.












