- Proposta “canary” congela só carteiras vulneráveis a computadores quânticos
- BIP-361 divide comunidade Bitcoin sobre congelamento de fundos antigos
- Fundo isca incentiva revelar computadores quânticos antes de ataques
Uma nova proposta da BitMEX Research quer evitar um congelamento total do Bitcoin em resposta a possíveis ameaças da computação quântica. Em vez de bloquear todos os endereços vulneráveis automaticamente, o sistema funcionaria como um “canário” — ativando restrições apenas quando houver prova concreta de que um computador quântico capaz de quebrar a segurança atual realmente existe.
O debate ganhou força com o BIP-361, recentemente incorporado ao repositório oficial do Bitcoin. Essa proposta defende uma abordagem em fases: primeiro, proíbe-se o envio de fundos para endereços vulneráveis a ataques quânticos por três anos, seguido de um congelamento total após mais dois anos.
A medida gerou críticas dentro da comunidade. Muitos argumentam que congelamentos em nível de protocolo contradizem princípios fundamentais do Bitcoin, como a resistência à censura e a responsabilidade individual sobre os próprios fundos. Há também questionamentos sobre se há evidências suficientes de que computadores quânticos com esse nível de poder surgirão em breve.
— BitMEX Research (@BitMEXResearch) April 15, 2026
A proposta alternativa da BitMEX Research funciona de forma diferente. Em vez de um prazo fixo, a rede entra em um estado de “vigilância canário”. O congelamento só ocorre se houver uma prova registrada na blockchain de que um computador quântico foi utilizado.
Essa prova viria de um endereço especial criado por um sistema chamado Nothing-Up-My-Sleeve Number — uma estrutura que garante que ninguém conhece a chave privada do endereço. Se algum fundo desse endereço for movimentado, isso seria um sinal claro de que uma máquina quântica está em operação.
Para reforçar o mecanismo, a proposta introduz o conceito de um fundo canário. Usuários depositariam Bitcoin voluntariamente nesse endereço como uma espécie de recompensa. O objetivo é incentivar qualquer entidade com um computador quântico funcional a reivindicar os fundos publicamente, em vez de atacar carteiras de outros usuários. Os contribuintes podem manter algum controle por meio de arranjos multisignatura.
A própria BitMEX Research reconhece os riscos da abordagem. A recompensa pode não ser suficiente para atrair a primeira entidade com capacidade quântica, que poderia preferir explorar outros fundos silenciosamente. A proposta também menciona uma “janela de segurança”, na qual transações com assinaturas vulneráveis ainda seriam processadas, mas com saídas bloqueadas temporariamente por até 50.000 blocos — aproximadamente um ano.












