- Bitcoin perde suporte e testa faixa dos US$ 82 mil
- Criptomoedas sofrem mais que Nasdaq e ouro
- Análises divergem entre queda até US$ 70 mil
As criptomoedas voltaram a liderar as perdas globais em um dia marcado por forte tensão nos mercados tradicionais. Após um início de sessão negativo, a pressão vendedora se intensificou nos Estados Unidos, levando o Nasdaq a recuar mais de 2% pela manhã, enquanto o ouro chegou a registrar uma queda próxima de 10% em relação à máxima histórica alcançada na noite anterior.
Ao longo da tarde, tanto as ações de tecnologia quanto o metal precioso conseguiram reduzir parte das perdas. O Nasdaq encerrou o dia com baixa de 0,7%, enquanto o ouro recuperou o nível de US$ 5.400 por onça. O mesmo não aconteceu com o mercado de criptomoedas. O bitcoin permaneceu próximo das mínimas do dia e era negociado pouco acima de US$ 81.000 no momento da publicação, acumulando queda próxima de 6% nas últimas 24 horas.

O movimento coloca o bitcoin sob risco de perder a faixa lateral em que vinha oscilando havia cerca de dois meses. A quebra dessa região técnica aumenta a leitura de que o mercado pode enfrentar uma correção mais profunda no curto prazo. Outras criptomoedas acompanharam a fraqueza, com Ethereum sendo negociado abaixo de US$ 2.800, Solana próximo de US$ 116, além de perdas relevantes em XRP e Dogecoin.
A pressão também atingiu empresas ligadas ao setor. As ações da Coinbase, da Circle e da Strategy registraram recuos expressivos, variando entre 5% e 10%, refletindo a redução do apetite por risco e o ajuste generalizado de posições ligadas ao bitcoin.
Para Matt Mena, estrategista de pesquisa de criptomoedas da 21Shares, a região de US$ 84.000 é um ponto técnico decisivo. Segundo ele, manter esse nível é “crucial” para evitar uma extensão das perdas em direção aos US$ 80.000, faixa onde houve forte interesse comprador em novembro. Abaixo disso, o mercado passaria a observar as mínimas de US$ 75.000 registradas durante a crise tarifária de abril de 2025.
Apesar da fraqueza recente, Mena avalia que os preços atuais representam um “ponto de entrada atraente” e mantém a expectativa de que o bitcoin possa alcançar US$ 100.000 até o fim do primeiro trimestre. Em um cenário macroeconômico mais favorável, ele não descarta uma retomada até novas máximas próximas de US$ 128.000.
Outros analistas adotam um tom mais cauteloso. John Glover, diretor de investimentos da Ledn, entende que a queda faz parte de uma correção mais ampla iniciada após as máximas de outubro. Na visão dele, o movimento pode levar o BTC para a região de US$ 71.000. Glover observa que, diante das incertezas nos EUA, investidores têm buscado proteção em ativos alternativos, como ouro e franco suíço, enquanto o bitcoin segue sendo tratado como ativo de risco e acompanha o movimento das ações.












