- Bitchat cresce em Uganda com foco em comunicação sem internet
- App de Jack Dorsey usa rede mesh via Bluetooth
- Oposição incentiva uso para driblar possíveis bloqueios
O aplicativo de mensagens descentralizado Bitchat registrou um aumento expressivo de interesse em Uganda nos últimos dias, às vésperas do ciclo eleitoral previsto para 2026. Dados recentes do Google Trends indicam que as buscas pelo termo “Bitchat” cresceram de forma acentuada no país, chamando a atenção de analistas de tecnologia e observadores do cenário político local.
Entre os termos mais pesquisados estão “bitchat apk”, “bitchat mesh”, “o que é bitchat” e “como usar bitchat”. Todas essas consultas apareceram como tópicos em ascensão, sinalizando um salto relevante no volume de pesquisas em um curto intervalo de tempo, o que costuma refletir adoção acelerada de um serviço digital.
O Bitchat é um aplicativo criado para permitir comunicação segura sem dependência de internet. A ferramenta utiliza redes mesh baseadas em Bluetooth, conectando smartphones próximos entre si. Cada dispositivo funciona como um nó da rede, retransmitindo mensagens de forma descentralizada, que ficam armazenadas localmente nos aparelhos, e não em servidores centrais.
Outro ponto que tem impulsionado o interesse é a simplicidade de acesso. O uso do Bitchat não exige número de telefone, cartão SIM ou endereço de e-mail, o que reduz barreiras de entrada e amplia o apelo em regiões onde a conectividade é instável ou sujeita a restrições governamentais.
Nos últimos meses, o aplicativo já havia sido adotado em contextos de tensão política em países como Nepal, Madagascar e Indonésia. Nesses locais, manifestantes recorreram ao Bitchat como alternativa para manter a comunicação durante períodos de vigilância estatal ou interrupções deliberadas de serviços digitais.
Em Uganda, o tema ganhou projeção após declarações do líder da oposição, Bobi Wine. Em uma publicação feita no X em 30 de dezembro, o político alertou a população sobre possíveis bloqueios de internet e incentivou o uso do aplicativo.
“Como todos sabemos, o regime está planejando um bloqueio da internet nos próximos dias, como fizeram em todas as eleições anteriores. Eles desligam a internet para bloquear a comunicação e garantir que os cidadãos não se organizem, verifiquem os resultados das eleições e exijam responsabilização pela fraude eleitoral em larga escala”,
escreveu Wine.
O histórico recente reforça a preocupação. Durante as eleições de 2016 e 2021, o governo do presidente Yoweri Museveni suspendeu o acesso à internet por cinco dias, começando na véspera da votação. Relatórios de dezembro de 2025 indicam que autoridades eleitorais e de segurança voltaram a discutir medidas semelhantes, alegando combate à desinformação e ao discurso de ódio.
Wine, porém, sustenta que o objetivo real seria impedir a circulação dos Formulários de Declaração de Resultados.
“Você poderá enviar fotos de formulários DR e compartilhar qualquer outra informação crítica com usuários específicos ou outros usuários”,
afirmou o opositor ao incentivar o download do Bitchat.
Dados do Chrome-Stats mostram que os downloads do aplicativo dispararam na última semana, superando 32 mil novas instalações, com mais de 4.200 downloads registrados apenas nas últimas 24 horas.












