- Bancos do Reino Unido bloqueiam pagamentos para criptomoedas
- Corretoras relatam desbancarização e dificuldades com clientes
- Setor pede ação da FCA contra restrições bancárias
Bancos do Reino Unido estão bloqueando ou atrasando cerca de 40% das transferências feitas por clientes para plataformas de criptomoedas, segundo um levantamento conduzido pelo Conselho Empresarial de Criptoativos do Reino Unido. O estudo aponta que a relação entre instituições financeiras tradicionais e empresas do setor vem se tornando cada vez mais difícil.
A pesquisa ouviu dez grandes corretoras centralizadas que operam no país, incluindo nomes de alcance global. Uma das empresas relatou que quase £ 1 bilhão em transações foram recusadas ao longo do último ano apenas no Reino Unido, considerando pagamentos por cartão e transferências bancárias identificadas como destinadas à plataforma.
De acordo com o relatório, 80% das corretoras registraram aumento relevante nos problemas enfrentados por clientes na hora de depositar recursos. Já 70% classificaram o ambiente bancário britânico como mais hostil nos últimos 12 meses, atribuindo ao país um nível elevado de dificuldade de acesso a serviços bancários em comparação com outros mercados.
“Isso agravou o crescimento do mercado do Reino Unido e continua sendo o maior problema para o crescimento ou lançamento de novos produtos de criptomoedas no Reino Unido”,
disse uma grande corretora no relatório.
“Como resultado, priorizamos outros mercados.”
As restrições descritas pelas empresas são amplas e, muitas vezes, pouco transparentes. Todas as corretoras ouvidas afirmaram que os bancos raramente oferecem justificativas claras quando um pagamento é bloqueado, inclusive nos casos de companhias registradas na FCA. Além disso, 60% relataram interrupções tanto em transferências bancárias quanto em pagamentos com cartão.
O relatório também menciona instituições consideradas particularmente restritivas, que mantêm bloqueios totais para transações ligadas a corretoras. Outros grandes bancos adotaram limites rígidos, restringindo valores por operação e por período, mesmo com o desenvolvimento de um regime regulatório específico para criptos em andamento no país.
Na avaliação do conselho, a aplicação de medidas generalizadas, inclusive sobre empresas já registradas na FCA, levanta preocupações legais. O grupo defende que as práticas atuais podem entrar em conflito com regras existentes que exigem avaliações individuais de risco, proteção ao consumidor e preservação da concorrência.
Como resposta, o conselho pede que a FCA e o governo britânico emitam orientações públicas exigindo que os bancos adotem uma abordagem baseada em risco e análise caso a caso. Também propõe maior cooperação entre bancos, reguladores e empresas de criptomoedas para troca de dados sobre fraudes e melhores práticas.













