- Stablecoins remuneradas preocupam bancos comunitários
- Lei GENIUS pode desviar depósitos locais
- Debate regulatório sobre rendimentos em stablecoins
Bancos comunitários dos Estados Unidos voltaram a alertar o Congresso sobre possíveis brechas na legislação que regula stablecoins, com foco especial nos tokens que oferecem algum tipo de rendimento aos detentores. A discussão ganhou força após o avanço da chamada Lei GENIUS, aprovada durante o verão, que ainda deixa espaço para interpretações sobre programas de recompensas ligados a stablecoins.
Em uma carta enviada recentemente ao Senado, o Conselho de Bancos Comunitários da Associação Americana de Bancos defendeu ajustes no texto legal para evitar impactos negativos sobre o sistema bancário local. Segundo o grupo, a ausência de limites claros para stablecoins geradoras de rendimento pode estimular a migração de depósitos tradicionais para plataformas de criptos, reduzindo a base de recursos usada por bancos comunitários para conceder empréstimos.
Os banqueiros afirmam que os depósitos são essenciais para o financiamento de pequenas empresas, agricultores, estudantes e compradores de imóveis. Na avaliação do conselho, permitir que empresas de criptomoedas ofereçam rendimentos atrativos sem restrições equivaleria a criar concorrência desigual com instituições reguladas.
“Se bilhões forem retirados dos empréstimos bancários comunitários, pequenas empresas, agricultores, estudantes e compradores de imóveis em cidades como a nossa sofrerão”,
afirmou o conselho na carta.
O debate sobre stablecoins remuneradas tem dividido bancos e representantes do setor de criptomoedas ao longo do último ano. Entidades bancárias sustentam que as proibições existentes contra o pagamento direto de juros são brandas e não impedem a criação de mecanismos indiretos de rendimento. Em mensagem enviada “aos CEOs dos bancos”, o presidente da ABA, Rob Nichols, afirmou que essa “brecha” pode levar ao desvio de trilhões de dólares em depósitos do sistema bancário tradicional.
“Os legisladores precisam entender os riscos muito reais para as comunidades locais em seu estado se permitirem que essa brecha seja explorada”,
disse Nichols. Do outro lado, associações ligadas ao setor cripto rejeitam essa interpretação. Em carta enviada anteriormente aos parlamentares, a Blockchain Association argumentou que restringir recompensas em stablecoins poderia “enfraquecer a concorrência em pagamentos e serviços financeiros, prejudicar a clareza regulatória e reabrir uma lei já consolidada”.
O grupo também contestou a ideia de que stablecoins remuneradas ameaçam bancos comunitários.
“Análises independentes não mostram saídas desproporcionais de depósitos relacionadas à adoção de stablecoins, e os bancos atualmente detêm trilhões de dólares em reservas que rendem juros no Federal Reserve, em vez de serem usados para empréstimos”,
afirmou a entidade.
A controvérsia deve voltar à pauta nas próximas semanas, quando senadores discutirão um projeto mais amplo de regulamentação do mercado de criptomoedas. Nesse contexto, o tratamento das stablecoins geradoras de rendimento tende a se tornar um dos pontos centrais do debate regulatório.














