- Bancos dos EUA preveem migração trilionária para stablecoins
- Lei GENIUS pode ter brecha para rendimentos indiretos
- Setor cripto critica alerta e acusa defesa de lucros
Uma coalizão de grupos bancários dos Estados Unidos, liderada pelo Bank Policy Institute (BPI), pediu ao Congresso que revise o texto da recém-aprovada Lei GENIUS para stablecoins, apontando uma brecha que poderia provocar a transferência de até US$ 6,6 trilhões em depósitos bancários para ativos digitais.
O BPI reconheceu que a lei já proíbe emissores de stablecoins de pagarem rendimentos ou juros diretamente aos detentores. No entanto, destacou que a redação atual não impede que bolsas de criptomoedas ou empresas afiliadas criem parcerias com emissores para oferecer ganhos de forma indireta.
De acordo com o grupo, essa possibilidade representaria um risco significativo ao sistema bancário tradicional, reduzindo a capacidade de empréstimos, elevando taxas de juros e aumentando custos de crédito para empresas e famílias. “O Congresso deve proteger o fluxo de crédito para empresas e famílias americanas e a estabilidade do mercado financeiro mais importante, fechando a brecha no pagamento de juros das stablecoins”, afirmou a entidade.
O posicionamento gerou reações imediatas do setor cripto. O diretor jurídico da Coinbase, Paul Grewal, classificou a preocupação como exagerada, ressaltando que propostas semelhantes já foram rejeitadas pelo Congresso.
“Isso não foi uma brecha e você sabe disso. 376 democratas e republicanos na Câmara e no Senado rejeitaram seu esforço desenfreado para evitar a concorrência. Um presidente também o fez”
declarou.
O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, endossou a crítica, sugerindo que os bancos estão mais interessados em proteger margens de lucro do que em evitar riscos sistêmicos. Jake Chervinsky, diretor jurídico do Variant Fund, acrescentou que a influência regulatória das instituições financeiras foi insuficiente para impedir a evolução do setor e que as motivações do alerta são principalmente de autopreservação.
Mikko Ohtama, cofundador do Trading Protocol, argumentou que a resistência dos bancos está ligada ao impacto das stablecoins nos modelos tradicionais de depósito. Para ele, a solução passa por melhorar as ofertas de contas de poupança e produtos similares. “As pessoas não sacarão dinheiro dos bancos se eles lhes oferecerem um bom negócio”, concluiu.














