- Mercados Ásia-Pacífico caem com petróleo acima de US$100
- Tensão no Oriente Médio pressiona economia e bolsas globais
- Investidores monitoram S&P 500 hoje e risco de recessão
Os mercados da região Ásia-Pacífico iniciaram a sexta-feira em forte queda, refletindo a escalada das tensões no Oriente Médio e o salto expressivo dos preços do petróleo. A possibilidade de um conflito prolongado elevou preocupações sobre interrupções no fornecimento global de energia e reacendeu temores de desaceleração econômica mundial.
O movimento ocorreu após declarações do novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. Em discurso na noite de quinta-feira, ele afirmou que o Estreito de Ormuz — uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no planeta — deve permanecer fechado e que o país pode ampliar o conflito caso a guerra continue.
O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana, Alireza Tangsiri, reforçou a ameaça nas redes sociais ao alertar para “os golpes mais duros contra o inimigo agressor”.
A escalada geopolítica impulsionou o petróleo. O Brent, referência internacional, disparou 9,22% e encerrou o pregão a US$ 100,46 por barril, superando a marca de US$ 100 pela primeira vez desde agosto de 2022. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) avançou 9,72%, fechando a US$ 95,73.
Segundo Rob Thummel, gestor sênior de portfólio da Tortoise Capital, os preços da commodity tendem a permanecer elevados no curto prazo. Ele explicou em entrevista ao programa “Squawk Box Asia” que a principal variável para os mercados é o risco de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Apesar disso, o gestor acredita que o cenário pode se normalizar ao longo do ano. “Em dezembro, a oferta [de petróleo] estará melhor, será maior, então, se você conseguir chegar em dezembro, poderá comprar petróleo muito mais barato.”
Analistas do Goldman Sachs projetam que o Brent terá média de US$ 98 por barril entre março e abril, cerca de 40% acima da média registrada em 2025. Caso o fluxo de petróleo no estreito seja interrompido por um mês, o banco estima que o preço médio pode atingir US$ 110 antes de recuar gradualmente ao longo do ano.
Enquanto isso, os mercados asiáticos reagiram negativamente. O índice S&P/ASX 200 da Austrália caiu cerca de 0,3% nas primeiras negociações.
No Japão, o Nikkei 225 recuou enquanto o índice Topix caiu 1,4%. As ações da Honda tiveram forte pressão após a montadora projetar seu primeiro prejuízo anual em quase sete décadas.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi caiu quase 3%, enquanto o Kosdaq registrou queda próxima de 2%. Em Hong Kong, os futuros indicavam abertura negativa para o Hang Seng.
Nos Estados Unidos, o clima também foi de cautela. O Dow Jones Industrial Average perdeu quase 740 pontos na sessão anterior e fechou abaixo de 47.000 pela primeira vez em 2026. O índice S&P 500 hoje terminou em queda de 1,5%, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,8%.
No mercado de previsões Kalshi, as apostas de recessão nos EUA subiram para 32%, o nível mais alto do ano.
Investidores também aguardam dados importantes sobre inflação. Economistas projetam que o índice de preços de gastos com consumo pessoal dos EUA tenha avançado 2,9% em janeiro na comparação anual, com o núcleo do indicador acelerando para 3,1%, números que podem influenciar as próximas decisões de política monetária.














