A leitura de Mike McGlone, estrategista sênior de commodities da Bloomberg Intelligence, adiciona um elemento histórico ao debate sobre o momento atual do mercado de criptomoedas. Em comentário recente, o analista comparou o comportamento do setor ao observado no mercado acionário dos Estados Unidos entre 1929 e 1930, período marcado por forte volatilidade após um topo relevante.
Segundo McGlone, o Índice Bloomberg Galaxy Crypto encerrou 2025 com uma queda próxima de 20%, depois de avançar pouco mais de 20% até atingir um novo pico. Na avaliação do analista, esse movimento se assemelha ao padrão registrado pelo mercado acionário norte-americano após o topo de 1929, quando ainda ocorreram recuperações parciais antes do aprofundamento da tendência de baixa.
O estrategista chama atenção para o fato de que, em março de 1930, o Índice Dow Jones Industrial Average apresentava uma queda inferior a 2% em relação ao fim de 1928, mesmo já inserido em um processo de deterioração mais amplo. Para ele, esse tipo de comportamento histórico ajuda a ilustrar como mercados podem aparentar estabilidade ou recuperação temporária antes de uma reversão mais prolongada.
Esse paralelismo histórico é utilizado por McGlone para contextualizar o cenário atual das criptomoedas, incluindo o recente movimento do Bitcoin. Após se aproximar da região de US$ 95 mil, a principal criptomoeda do mercado recuou para a faixa de US$ 91 mil, em um movimento que refletiu a realização de lucros e o aumento da cautela entre os investidores.
Cryptos' Bear Market Rhymes With 1929-30:
Ending 2025 down about 20% after rallying just over 20% to a new high, the Bloomberg Galaxy Crypto Index may have formed an enduring peak akin to the US stock market in 1929. My chart shows the crypto index's performance rhyming with the… pic.twitter.com/U3q9zP2VQb— Mike McGlone (@mikemcglone11) January 7, 2026
Na leitura do analista da Bloomberg, o comportamento recente não exclui a possibilidade de novas tentativas de recuperação no curto prazo. Ainda assim, ele ressalta que esses movimentos podem ocorrer dentro de um ambiente mais frágil, em que oscilações de alta não necessariamente indicam o início de um novo ciclo sustentado.
O comentário reforça um ponto recorrente nas análises de mercado: correções intermediárias e repiques técnicos fazem parte de fases de transição, especialmente após movimentos expressivos de valorização. Nesse contexto, o recuo do Bitcoin é interpretado como parte de um processo mais amplo de ajuste, e não como um sinal isolado.
Com isso, o cenário descrito pela Bloomberg Intelligence sugere que o mercado pode atravessar um período de maior instabilidade, no qual eventuais altas convivem com riscos estruturais ainda presentes. Para investidores, a análise funciona mais como um alerta sobre o estágio do ciclo do que como uma previsão direcional imediata.












