- Queda do Bitcoin pressiona liquidações em ouro e prata.
- Burry vê risco sistêmico em criptomoedas e metais.
- ETFs de Bitcoin não garantem suporte duradouro.
O investidor Michael Burry, conhecido por antecipar a crise financeira de 2008 e retratado no filme A Grande Aposta, voltou a chamar a atenção do mercado ao relacionar a recente queda do Bitcoin a um movimento mais amplo de vendas em outros ativos, especialmente ouro e prata. Segundo ele, a retração do preço da principal criptomoeda pode estar provocando efeitos indiretos relevantes em mercados tradicionalmente vistos como proteção de capital.
Na avaliação de Burry, a queda das criptomoedas teria forçado investidores institucionais e tesoureiros corporativos a liquidarem posições em outros ativos para cobrir perdas. Em uma publicação no Substack, ele afirmou que esse movimento teria se intensificado no fim do mês, coincidindo com a pressão observada nos metais preciosos.
“Parece que até US$ 1 bilhão em metais preciosos foram liquidados no final do mês devido à queda nos preços das criptomoedas”, escreveu Burry, ao comentar o desempenho do ouro e da prata no encerramento de janeiro. O investidor sugeriu que especuladores e gestores de tesouraria venderam posições lucrativas em contratos futuros de ouro e prata tokenizados como forma de reduzir riscos e recompor margens.
O Bitcoin chegou a recuar brevemente abaixo de US$ 73.000, acumulando uma desvalorização expressiva em relação às máximas recentes. Para Burry, esse movimento expõe fragilidades estruturais da criptomoeda e amplia a pressão sobre empresas com grandes participações em Bitcoin, como a Strategy (MSTR), que mantém uma estratégia fortemente concentrada no ativo.
“Não há justificativa orgânica para que o Bitcoin diminua ou interrompa sua queda”, afirmou. Em um cenário mais extremo, Burry alertou que uma queda até a região de US$ 50.000 poderia levar empresas de mineração à insolvência e provocar efeitos severos no mercado de futuros de metais tokenizados, que poderiam, segundo ele, “desmoronar em um buraco negro sem compradores”.
O investidor também reforçou sua visão crítica sobre o papel do Bitcoin como reserva de valor. Em sua análise, a criptomoeda não conseguiu se consolidar como um porto seguro digital nem como uma alternativa funcional ao ouro em momentos de estresse.
“Não há nada de permanente nos ativos do tesouro”, acrescentou, ao descartar a ideia de que participações corporativas ou institucionais em Bitcoin ofereçam sustentação consistente no longo prazo.
Embora o avanço recente do Bitcoin tenha sido impulsionado pelo lançamento de ETFs à vista e pelo maior interesse institucional, Burry vê esses fatores como transitórios. Para ele, a atual correção reacende discussões sobre interconexões entre criptomoedas e outros mercados, especialmente em períodos de ajuste mais amplo de risco.












