- Michael Burry aposta contra Palantir e Nvidia
- CEO da Palantir reage e critica vendedores a descoberto
O lendário investidor Michael Burry revelou novas posições vendidas contra duas gigantes da tecnologia — Palantir (PLTR) e Nvidia (NVDA) — através de seu fundo Scion Asset Management. Conhecido por prever a crise de 2008 e inspirar o filme “A Grande Aposta”, Burry reacendeu o debate sobre uma possível bolha nas ações de inteligência artificial.
As ações da Palantir despencaram 6% na terça-feira (4), mesmo após a empresa divulgar resultados financeiros sólidos e ultrapassar US$ 1 bilhão em receita pelo segundo trimestre consecutivo. A companhia também elevou suas projeções para o ano todo, mas isso não impediu a queda. O que realmente mexeu com o mercado foi a revelação de que Burry está apostando contra a empresa — movimento que abalou o setor de IA e acentuou os temores de superavaliação.
O CEO da Palantir, Alex Karp, reagiu duramente durante entrevista à CNBC. Visivelmente irritado, acusou os vendedores a descoberto de “manipulação de mercado” e classificou as operações como “extremamente perturbadoras”. “Entregamos os melhores resultados que todos, absolutamente todos, já viram”, afirmou. Mesmo com a defesa pública, as ações continuaram em queda logo após suas declarações.
Analistas de Wall Street seguem divididos sobre o valor da empresa. A Palantir negocia atualmente com um índice preço/lucro (P/L) futuro de 254, enquanto a Nvidia apresenta 35. Gabriela Borges, do Goldman Sachs, destacou que a ação já disparou 175% no acumulado do ano e que superar expectativas já não é o bastante. Brent Thill, da Jefferies, citou Microsoft e Snowflake como alternativas mais atraentes, e a Mizuho alertou que a relação risco-retorno da Palantir tornou-se “um grande desafio”.
A queda da Palantir ocorreu em meio a um recuo mais amplo do mercado. O S&P 500 caiu 0,9%, o Nasdaq recuou 1,5% e o Dow Jones perdeu 193 pontos, com as empresas de IA entre as mais atingidas. Oracle, AMD, Amazon e até a Nvidia registraram perdas.
Segundo Anthony Saglimbene, da Ameriprise, “o mercado não viu uma correção significativa desde abril”, sugerindo que múltiplos tão elevados podem não se sustentar. Já executivos como David Solomon, do Goldman Sachs, e Ted Pick, do Morgan Stanley, preveem uma queda de 10% a 20% nos próximos meses se o entusiasmo com a inteligência artificial não for acompanhado por crescimento real nos lucros.












