- Rastreamento forense aumenta recuperação de criptoativos
- Casos resolvidos com até 72% de sucesso
- Tokenização e blockchain facilitam bloqueios e apreensões
Especialistas do setor e autoridades internacionais observam um aumento expressivo na recuperação de fundos perdidos em fraudes envolvendo criptomoedas. O avanço das ferramentas forenses em blockchain permitiu não apenas rastrear transações com mais precisão, mas também bloquear ativos quando chegam a corretoras regulamentadas, ampliando as chances de restituição para as vítimas.
O movimento ganhou destaque após a apreensão realizada pelas autoridades americanas em outubro de 2025, que resultou no confisco de cerca de 127.271 Bitcoins ligados ao Prince Group, classificado como uma operação global de fraude baseada em “abate de porcos”. Segundo documentos federais, o episódio representou o maior confisco financeiro já registrado nos Estados Unidos.
“A era do ‘seus fundos se foram para sempre’ acabou”,
afirmou Bezalel Eithan Raviv, CEO da Lionsgate Network.
“As únicas pessoas que ainda acreditam nessa mentira são os golpistas, que esperam que as vítimas nunca entrem em contato conosco.”
Embora transações em blockchain não possam ser desfeitas, empresas especializadas destacam que o livro-razão público oferece rastreabilidade suficiente para seguir o caminho dos fundos mesmo após passarem por mixers. Quando os ativos alcançam exchanges reguladas, podem ser congelados e, posteriormente, apreendidos por meio de ações coordenadas entre autoridades e especialistas forenses.
Raviv citou que fraudes envolvendo criptomoedas nos Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 5,8 bilhões em 2024, com o quarto trimestre registrando aumento de até 40% nos casos. Os golpes mais comuns envolveram esquemas de relacionamento, plataformas falsas de negociação, operações de liquidez inspiradas em modelos Ponzi e sites de phishing que imitam grandes corretoras.
Segundo empresas de recuperação, casos reportados em até 90 dias apresentam taxas de sucesso entre 58% e 72%. Ainda assim, cerca de dois terços das vítimas nunca chegam a registrar queixa, dificultando a atuação jurídica e forense. As operações seguem um protocolo que inclui análise técnica da blockchain, avaliação de viabilidade, montagem de dossiês de provas e cooperação com autoridades.
A Lionsgate Network afirma combinar ferramentas forenses com inteligência de código aberto para conectar carteiras digitais a identidades reais, incluindo e-mails, números de telefone e perfis sociais. Empresas legítimas do setor reforçam que não cobram taxas antecipadas, não prometem recuperações garantidas e nunca solicitam frases-semente ou chaves privadas.
A probabilidade de recuperação depende diretamente do percurso dos fundos. Casos mais promissores envolvem ativos que chegaram a exchanges centralizadas em até 180 dias, enquanto probabilidades moderadas incluem fundos que passaram por misturadores, mas foram rastreados até destinos identificáveis. Situações de baixa chance envolvem conversões para moedas voltadas à privacidade ou transações peer-to-peer sem documentação.
“Os golpistas não roubam seu dinheiro porque são espertos. Eles roubam porque as vítimas não estão atentas e não reagem com força”,
afirmou Raviv.
“Quando as vítimas se unem em conhecimento forense, tudo muda.”












