- Stablecoins podem afetar estabilidade financeira internacional.
- Resgates em massa pressionam títulos do Tesouro dos EUA.
- Expansão das stablecoins exige vigilância regulatória constante.
O Banco Central Europeu voltou a chamar atenção para os riscos associados às stablecoins em seu relatório mais recente. O documento destaca que o aumento no interesse por esses tokens, somado aos avanços regulatórios em diversos países, levou o mercado a um novo patamar de capitalização. Para a instituição, esse avanço pode gerar “riscos à estabilidade financeira”.
O BCE enfatizou que a fragilidade mais significativa desse tipo de ativo ocorre quando há dúvidas sobre sua capacidade de resgate. No relatório, a instituição afirma que “a principal vulnerabilidade das stablecoins é que os investidores perdem a confiança de que elas podem ser resgatadas pelo valor nominal”. Esse abalo de confiança poderia desencadear uma corrida por saques e provocar desvinculações de preço.
A análise prossegue ressaltando que um abalo severo nesse mercado teria impacto direto no setor de criptomoedas e poderia atingir outros segmentos financeiros. A razão é simples: USDT e USDC estão entre os maiores compradores de títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo. Segundo o BCE, uma corrida pelas reservas poderia levar à venda acelerada desses papéis, prejudicando o funcionamento desse mercado.
As stablecoins, geralmente lastreadas em dólares ou títulos do Tesouro, ganharam espaço como alternativa prática para quem realiza transações sem depender diretamente do sistema bancário tradicional. A Lei GENIUS, assinada pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, criou um arcabouço regulatório para a emissão e negociação desses tokens, intensificando sua adoção.
Estimativas do Standard Chartered mostram a força desse movimento: a capitalização do setor pode alcançar US$ 750 bilhões até o fim de 2026, bem acima dos atuais US$ 307 bilhões. Grandes empresas e instituições financeiras — entre elas Amazon, Meta, PayPal, JPMorgan Chase e Citigroup — já estudam lançar suas próprias versões desses ativos.
Mesmo com o avanço global, o BCE avalia que os riscos diretos para a zona do euro continuam reduzidos, já que o mercado é majoritariamente dominado por tokens atrelados a ativos dos EUA. Ainda assim, a instituição reforça que o uso crescente exige monitoramento constante. O banco também segue desenvolvendo sua moeda digital, com Christine Lagarde afirmando que o projeto está em sua etapa final.
A discussão sobre CBDCs permanece ativa, sobretudo após críticas de que tais moedas poderiam ampliar o controle estatal sobre gastos da população. Em resposta às preocupações, o atual presidente dos EUA assinou uma ordem executiva impedindo que agências federais emitam versões próprias da tecnologia.












