- Fed indica chance maior de corte em dezembro
- Comentários reforçam expectativa por juros menores
- Mercado projeta mais de 75% de probabilidade
As expectativas por um novo corte na taxa de juros dos Estados Unidos ganharam força nesta sexta-feira, depois que John Williams, presidente do Fed de Nova York, apontou que pode apoiar uma redução na reunião de dezembro. O dirigente afirmou em discurso no Chile que “ainda vejo espaço para um novo ajuste no curto prazo da meta para a taxa de juros dos fundos federais, a fim de aproximar a política monetária da neutralidade”.
Williams destacou que, embora haja margem para cortes, as tarifas impostas recentemente estagnaram parte do progresso em direção à meta de inflação de 2% do Federal Reserve. Ele estimou que essas tarifas adicionam entre 0,50 e 0,75 ponto percentual à inflação, mas projeta que a pressão inflacionária deve voltar a desacelerar ao longo de 2026.
O peso das declarações de Williams aumenta devido à sua posição como vice-presidente do Comitê Federal de Mercado Aberto, integrando a “troika” do Fed ao lado do presidente Jerome Powell e de Philip Jefferson. O mercado financeiro monitora atentamente os comentários desse grupo, que costuma ditar o tom da política monetária.
Na mesma sexta-feira, Stephen Miran, membro do Conselho de Governadores, reforçou a visão pró-corte. Ele afirmou que votaria por uma redução de 25 pontos-base, mesmo preferindo um corte de 50 pontos-base em termos ideais. Miran vem adotando postura mais agressiva em relação ao afrouxamento monetário, insistindo em reduções maiores em meio às dúvidas de outros dirigentes.
As projeções do mercado reagiram rapidamente. As probabilidades de um corte em dezembro saltaram para acima de 75%, superando com folga os cerca de 30% a 40% registrados no dia anterior.
O relatório de empregos de setembro também entrou no radar dos formuladores de política monetária. O número de vagas criadas subiu para 119 mil, superando as expectativas de 51 mil. A revisão de agosto, que passou de 22 mil para –4 mil, reforçou a leitura de instabilidade no ritmo de contratação. A taxa de desemprego avançou para 4,4%, impulsionada pelo aumento da participação na força de trabalho.
Miran avaliou que os dados devem influenciar dirigentes indecisos a considerar cortes, citando a elevação do desemprego e o crescimento das demissões permanentes como sinais de impacto da política restritiva.
Enquanto isso, Susan Collins, presidente do Fed de Boston, demonstrou inclinação a manter a política atual, argumentando que a demanda segue firme e que algumas empresas ainda repassam custos das tarifas aos consumidores. Para ela, manter uma postura “levemente restritiva” continua apropriado neste momento.
Outros membros, como Lorie Logan e Anna Paulson, também adotaram tom cauteloso, destacando que cortes adicionais dependem de melhora clara na inflação ou deterioração mais forte do mercado de trabalho.
O Federal Reserve se reunirá nos dias 9 e 10 de dezembro para definir o último rumo da política monetária em 2025.












