- Maxine Waters condena perdão presidencial a fundador da Binance
- Trump é acusado de favorecer “criminosos de criptomoedas”
- Lobby e doações à World Liberty Financial levantam suspeitas
A deputada democrata Maxine Waters criticou duramente o perdão concedido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao fundador da Binance, Changpeng “CZ” Zhao. Em comunicado divulgado na quinta-feira, Waters afirmou que o gesto representa “um reflexo terrível, mas nada surpreendente” da atual administração.
Waters, que atua como principal democrata no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, acusou Trump de usar o poder presidencial para “fazer enormes favores aos criminosos de criptomoedas”, enquanto o governo segue sem reabrir as atividades federais paralisadas. Segundo ela, o perdão de Zhao demonstra uma:
“presidência marcada pela corrupção, interesse próprio e lealdade aos criminosos em detrimento das famílias da classe trabalhadora americana”.
A Casa Branca justificou o perdão dizendo que Zhao foi alvo de perseguição durante o governo Biden, “apesar de não haver vítimas identificáveis”. O fundador da Binance havia se declarado culpado em 2023 por falhas no cumprimento das normas de combate à lavagem de dinheiro, pagando uma multa de US$ 50 milhões e cumprindo quatro meses de prisão, enquanto a corretora desembolsou US$ 4,3 bilhões em um acordo com autoridades.
Trump negou conhecer pessoalmente Zhao, afirmando que o empresário “foi recomendado por muitas pessoas”. Entretanto, Waters afirmou que o perdão seria resultado de meses de lobby de Zhao junto ao presidente, sua família e à empresa de criptomoedas World Liberty Financial, que tem vínculos com o círculo político de Trump.
“O perdão foi a recompensa e um exemplo flagrante do tipo de corrupção do tipo ‘pay-to-play’ que Trump e seu governo continuam a praticar”,
declarou.
A congressista também alertou que o gesto “legitima o crime de criptomoedas” pelo qual Zhao foi condenado. Waters já havia criticado a aproximação do governo Trump com o setor cripto, afirmando que leis como o projeto GENIUS de stablecoins e o Clarity Act não oferecem proteção suficiente aos consumidores.
Desde sua reeleição, Trump tem concedido perdões a figuras associadas ao ecossistema de criptomoedas, incluindo Ross Ulbricht, criador do Silk Road, e o caso de CZ reacendeu especulações sobre uma possível anistia ao fundador da FTX, Sam Bankman-Fried.














