- Mercado de altcoins não supera topo de 2021
- Fluxos de ETFs concentram-se em Bitcoin e travam rotação
- Liquidez restrita e cenário macro pesam sobre ativos de risco
O Bitcoin alcançou uma nova máxima histórica próxima de US$ 126.000 no início de outubro, mas o mercado de altcoins medido pelo índice TOTAL2ES, ainda não conseguiu romper o teto de US$ 1,6 trilhão atingido em novembro de 2021. Mesmo após a disparada do BTC, as altcoins continuam sem confirmar o ciclo de alta, com o índice operando em torno de US$ 1,48 trilhão, cerca de US$ 120 bilhões abaixo do topo anterior.
A ausência de um novo recorde no TOTAL2ES indica que a “temporada de altcoins” segue adiada. Enquanto o Bitcoin superou sua máxima de 2021 em 84%, as altcoins permanecem presas a um nível de resistência estrutural, sugerindo que o capital institucional continua priorizando a principal criptomoeda via ETFs à vista. Esses produtos, que acumulam bilhões em entradas líquidas, têm absorvido grande parte da liquidez direcionada ao setor.
Três vetores estão moldando o comportamento do mercado neste ponto do ciclo. O primeiro é o fluxo líquido dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos, que serve como principal termômetro da demanda marginal. O segundo fator está ligado ao cenário macroeconômico: as tensões comerciais entre EUA e China — incluindo a proposta de tarifas de 100% sobre importações — e as expectativas de novos cortes de juros pelo Federal Reserve estão afetando o apetite por risco. O terceiro elemento é o estresse de liquidez em dólar, refletido no aumento do uso do Sistema de Repositório Permanente do Fed, sinal de que o financiamento de curto prazo permanece apertado.
Essa combinação limita a rotação de capital para ativos de maior beta, como Solana, XRP e outras altcoins, impedindo que a capitalização total do setor supere o pico anterior. O gatilho técnico para confirmar uma nova fase de alta seria um fechamento semanal do TOTAL2ES acima da faixa entre US$ 1,63 trilhão e US$ 1,7 trilhão — algo que, até agora, não ocorreu.
Apesar da recuperação parcial após o evento de desalavancagem global, as altcoins ainda não acompanharam o ritmo do Bitcoin. O mercado segue atento aos fluxos de ETFs, às posições de derivativos e à evolução da liquidez global, que devem determinar se haverá espaço para uma nova máxima marginal ou uma consolidação prolongada antes da rotação esperada para o setor.












