- Primeiro país europeu com reserva em Bitcoin
- Alocação 1 % via ETFs reduz risco direto
- Expressa crença no futuro das criptomoedas
Luxemburgo anunciou a conversão de uma pequena fração de seus recursos estatais em cotas de ETFs de Bitcoin, conforme revelou o Ministro das Finanças, Gilles Roth. Essa movimentação torna o país o primeiro na Europa a inserir exposição em criptomoedas por meio de produtos negociados em bolsa.
O FSIL — Fundo Soberano Intergeracional de Luxemburgo — detém uma carteira de aproximadamente US$ 900 milhões, majoritariamente alocada em títulos e ações. A nova estratégia prevê 1 % deste montante (cerca de US$ 9 milhões) investido em ETFs de Bitcoin. Roth explicou que essa exposição será indireta, via ETFs regulados, com o objetivo de reduzir riscos operacionais associados à custódia direta.
Bob Kieffer, diretor do Tesouro luxemburguês, afirmou: “Alguns podem argumentar que estamos investindo pouco e tarde demais; outros apontarão a volatilidade e a natureza especulativa do investimento. No entanto, dado o perfil e a missão específicos do FSIL, o conselho de administração do fundo concluiu que uma alocação de 1 % atinge o equilíbrio certo, ao mesmo tempo em que envia uma mensagem clara sobre o potencial de longo prazo do Bitcoin.”
A decisão reflete uma mudança de diretriz institucional aprovada em julho de 2025, que autorizou até 15 % dos recursos do fundo serem destinados a ativos “alternativos”, como private equity, imóveis e criptomoedas. A mudança explicou a redução proporcional na alocação de ações e títulos.
Criado em 2014 com o propósito de gerar reservas para futuras gerações, o FSIL historicamente mantinha perfil conservador, investindo majoritariamente em papéis de grau de investimento e indexados. Com essa nova abordagem, Luxemburgo entra em uma lista restrita de Estados ou entidades soberanas que experimentam exposição a criptomoedas, como El Salvador e alguns fundos estatais dos EUA.
Embora Luxemburgo seja o primeiro país do continente a fazer essa alocação deliberada em Bitcoin via ETF, já houve anúncios de interesse em outros países. A República Tcheca chegou a manifestar intenção de adotar BTC em reservas nacionais, mas enfrentou objeções por parte da presidente do Banco Central Europeu.
A partir dessa movimentação, o debate institucional europeu pode acompanhar de perto a evolução desse experimento no mundo das criptomoedas, em especial no que tange à governança, risco e diversificação institucional em criptos.












