- Protocol Guild aponta baixa remuneração para desenvolvedores Ethereum
- Salários estão 60% abaixo da média do mercado
- Especialistas alertam para riscos à rede e retenção de talentos
Um relatório recente da Protocol Guild revelou que a maioria dos desenvolvedores do núcleo Ethereum trabalha por valores muito abaixo dos padrões de mercado. A pesquisa reuniu respostas de 111 membros entre os 190 que compõem o grupo, abrangendo 11 organizações distintas, e destacou uma disparidade significativa entre remuneração e responsabilidade.
Segundo o levantamento, a remuneração média anual desses colaboradores é de US$ 157.939, enquanto empresas concorrentes oferecem cerca de US$ 359.074 para funções semelhantes. A diferença representa uma defasagem de aproximadamente 60%. Além disso, a maioria não recebe incentivos de capital ou tokens, enquanto a média do setor é de 7% em subsídios de participação.
Quase 40% dos desenvolvedores entrevistados receberam ofertas formais de emprego no último ano, evidenciando a disputa acirrada por talentos. Apesar disso, muitos continuam priorizando a manutenção da infraestrutura do Ethereum em vez de aceitar salários mais altos em outras companhias.
Phil Ngo, desenvolvedor da rede, descreveu esses profissionais como “pessoas altruístas” que permanecem no projeto mesmo sob pressão financeira. “A maioria que conheço está abrindo mão do dinheiro porque acredita em algo. Esse algo é um mundo não regido pelo status quo da FiB, que ninguém sozinho, nem um grupo cartelizado de pessoas, pode mudar o sistema.”
Ethereum Core Devs are some of the most selfless people I know. They are hardworking individuals who keep Ethereum alive while having carrots of gold hanging all around them. Most I know are foregoing the money because they believe in somETHing. That something is a world not… https://t.co/rcjLe4VUCc
— Phil Ngo (@philngo_) September 9, 2025
Ainda assim, o relatório adverte que essa disparidade pode representar riscos de longo prazo para o ecossistema. A execução do roteiro técnico do Ethereum depende da retenção desses engenheiros altamente qualificados, e a falta de remuneração competitiva pode comprometer tanto a continuidade quanto a neutralidade confiável da rede.
Ngo reforçou essa preocupação ao afirmar:
“Concordo plenamente que é inaceitável pagar metade do preço de mercado de um engenheiro equivalente para manter literalmente uma rede de US$ 400 bilhões viva e descentralizada.”
O especialista jurídico Gabriel Shapiro acrescentou que os desenvolvedores deveriam compartilhar dos benefícios do ecossistema que ajudam a proteger, sugerindo remuneração parcial em ETH bloqueado como alternativa. “Depender que o próximo Eigenlayer faça uma doação simbólica para a Protocol Guild não é uma estratégia”, alertou.
O relatório reacende o debate sobre a valorização dos construtores do Ethereum, em um momento em que a rede continua sendo a segunda maior blockchain do mercado e peça-chave na transformação do setor financeiro global.












