- Plataforma de e-commerce volta a operar transporte direto
- Trégua tarifária reduz custos de importação temporários
- Temu investe em logística própria e marketing nos EUA
A Temu voltou a enviar produtos diretamente da China para os Estados Unidos depois que a trégua comercial firmada entre Washington e Pequim reduziu parte do peso tarifário sobre mercadorias de baixo custo. A mudança permitiu que a empresa retomasse campanhas de publicidade mais agressivas no mercado americano, após um período de cautela.
O marketplace, controlado pela PDD Holdings, havia interrompido o serviço em maio, quando novas tarifas impostas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, elevaram significativamente os custos de importação. Parceiros e fornecedores confirmaram que, em julho, a companhia restabeleceu o modelo de transporte “totalmente gerenciado”, em que assume grande parte das etapas de logística e alfândega, garantindo mais controle sobre as operações.
Fontes próximas à empresa afirmam que os investimentos em marketing nos EUA voltaram a crescer após terem sido reduzidos durante o período mais intenso da guerra tarifária. A expectativa é que os gastos retornem ao patamar do primeiro trimestre de 2025, quando a empresa expandia rapidamente sua base de clientes com preços competitivos.
O acordo provisório entre os dois países estabeleceu uma tarifa de 30% para alguns produtos chineses durante 90 dias, além da aplicação de 54% sobre pequenas encomendas. A mudança amenizou os impactos da revogação da regra de minimis, que anteriormente isentava pacotes de até US$ 800 de impostos de importação. Essa alteração havia atingido em cheio o modelo da Temu, fortemente dependente de envios de baixo valor em larga escala.
De acordo com Sheng Lu, professor da Universidade de Delaware, a elevação das tarifas tende a pressionar inclusive varejistas tradicionais. “Isso reduzirá a pressão sobre os preços enfrentada pela Temu e pela Shein”, observou. Para ele, mesmo com as novas cobranças, o envio direto continua mais barato que manter estoque em território americano.
Pessoas próximas à empresa indicam que a Temu está investindo em uma rede logística própria para reduzir riscos de atrasos e custos extras, seguindo passos já adotados pela Shein. Essa estratégia busca maior eficiência no desembaraço aduaneiro e no transporte, ao mesmo tempo em que mantém os preços acessíveis para consumidores.
Fabricantes chineses relatam efeitos diferentes desde a retomada. Um fornecedor de Zhejiang destacou aumento nas vendas e maior exposição ao mercado dos EUA, enquanto outro, em Guizhou, disse que a demanda ainda não se recuperou totalmente dos impactos tarifários anteriores.












