- Produção industrial alemã cai 1,9% em junho
- Pedidos industriais recuam pelo segundo mês seguido
- Exportações crescem puxadas por demanda da União Europeia
A produção industrial da Alemanha registrou em junho seu nível mais baixo desde maio de 2020, período marcado pelas paralisações econômicas devido à pandemia de Covid-19. De acordo com o Departamento Federal de Estatística (Destatis), houve uma queda de 1,9% em relação a maio, superando a previsão de recuo de 0,5% feita por analistas.
O recuo ocorreu em meio à fraca demanda global e ao desaquecimento econômico em parceiros comerciais importantes. O país, cuja economia depende fortemente de exportações, enfrenta ainda o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos e a pressão da concorrência da indústria chinesa.
Dados revisados pelo Destatis mostraram que, ao contrário da alta de 1,2% inicialmente divulgada para maio, houve uma contração de 0,1% frente a abril. No segundo trimestre, a produção industrial recuou 1%, retornando aos patamares observados no início de 2020.
Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING Research, alertou que os números podem levar a uma revisão da estimativa de contração de 0,1% do PIB alemão no segundo trimestre de 2025. Segundo ele, “a indústria continua estagnada em um longo período de recuperação”.
Além da queda na produção, os pedidos industriais diminuíram 1% em junho, marcando o segundo mês consecutivo de retração, puxados principalmente pela menor demanda externa.
Apesar do cenário desfavorável, as exportações alemãs tiveram alta de 0,8% em junho frente a maio, superando as expectativas de 0,5%. As vendas para países da União Europeia cresceram 2,4%, enquanto os embarques para nações fora do bloco recuaram 1,2%.
O desempenho nas exportações para os Estados Unidos foi negativo, com queda de 2,1% no mês, o terceiro recuo seguido, atingindo o menor nível desde o início de 2022. Analistas apontam que o movimento reflete a antecipação de compras no período anterior, em razão das tarifas implementadas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump.
No mesmo mês, as importações aumentaram 4,2%, para € 115,6 bilhões, reduzindo o superávit comercial para menos de € 15 bilhões, ante € 18,5 bilhões em maio. Para Franziska Palmas, economista sênior do Capital Economics, o fraco crescimento na Europa e na China, somado à intensificação da concorrência chinesa, deve manter a pressão sobre a indústria alemã nos próximos meses.












