- Inflação nos EUA atinge maior nível desde 2023
- Alta da energia acelera índice de preços ao consumidor
- Bitcoin e mercados reagem aos dados do CPI
A inflação nos Estados Unidos voltou a acelerar em maio e alcançou o maior patamar em mais de três anos, aumentando as preocupações com o custo de vida e os efeitos econômicos da guerra envolvendo o Irã. Dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA mostraram que o índice de preços ao consumidor (CPI) registrou alta anual de 4,2%, o maior avanço desde abril de 2023.
Na comparação mensal, os preços avançaram 0,5%, resultado em linha com as expectativas do mercado. O principal fator por trás da aceleração foi o aumento dos custos de energia, responsável por mais de 60% da alta observada em relação ao mês anterior.
O índice de energia avançou 3,9% em maio, refletindo os impactos persistentes das tensões no Oriente Médio sobre os mercados globais de combustíveis. O movimento elevou custos em diversos setores da economia, incluindo transporte, logística e alimentação.
“Os dados do IPC de hoje confirmaram nossa expectativa de que o aumento dos custos de energia e seus efeitos indiretos nos custos de transporte e alimentação impulsionariam o IPC de maio”, disse Atsi Sheth, diretor de crédito da Moody’s Ratings, em comunicado. “Esperamos que os preços da energia continuem sendo um fator determinante da inflação geral até que haja maior certeza geopolítica no Oriente Médio.”
Entre os componentes do índice, os preços dos alimentos registraram alta de 0,2% em maio. O relatório apontou queda nos preços do queijo, enquanto o café continuou apresentando aumentos. Já os custos com seguro de automóveis recuaram 1,7% em relação ao mês anterior.
Por outro lado, despesas ligadas à saúde continuaram avançando. Os serviços hospitalares registraram aumento de 0,7%, adicionando pressão ao orçamento das famílias americanas.
O avanço da inflação também afetou os rendimentos dos trabalhadores. Segundo os dados oficiais, a média salarial real por hora caiu 0,1% em maio, indicando que os reajustes salariais não foram suficientes para acompanhar o aumento geral dos preços.
O dado é acompanhado de perto por investidores dos mercados tradicionais e de criptomoedas, já que a trajetória da inflação pode influenciar expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve e o comportamento de ativos de risco como Bitcoin e outras criptomoedas.
A divulgação do CPI teve reflexos em diferentes segmentos do mercado financeiro. O S&P 500 encerrou o dia aos 7.375,76 pontos, com queda de 0,15%, enquanto o Dow Jones Industrial Average recuou 0,61%, para 50.562,56 pontos. O Nasdaq também fechou em baixa de 0,11%, aos 25.649,40 pontos.
Na contramão dos principais índices americanos, o Russell 2000 avançou 1,11%, atingindo 2.898,99 pontos, indicando maior apetite por ações de empresas de menor capitalização. Enquanto isso, o índice de volatilidade VIX subiu 2,12%, para 20,29 pontos, sinalizando cautela entre os investidores diante das pressões inflacionárias e das incertezas geopolíticas.
No mercado de commodities, o petróleo Brent avançou 1,33%, sendo negociado a US$ 92,67 por barril. O movimento reforçou as preocupações com os custos de energia, que continuam exercendo influência significativa sobre a inflação global. Já o ouro recuou 2,28%, para US$ 4.188,50, refletindo ajustes de posição após recentes máximas históricas.
Entre os ativos digitais, o Bitcoin registrou valorização de 0,48% e era negociado a US$ 61.801,32. O desempenho da principal criptomoeda ocorreu em meio às expectativas dos investidores sobre como o Federal Reserve poderá reagir ao novo avanço da inflação nos próximos meses.
“Os americanos estão sofrendo com a crise financeira”, publicou Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, no X. “Não se trata apenas de ‘más vibrações’ sobre a economia. Há um sofrimento real, especialmente para as famílias de classe média e baixa renda. A situação é difícil porque muitos itens básicos estão sofrendo aumentos consideráveis de preço: gasolina, eletricidade, alimentos, assistência médica.”












