- Tesouro dos EUA rejeita CBDC por risco de vigilância
- Governo quer atrair ativos digitais e criptomoedas
- Clarity Act ganha força, mas enfrenta resistência democrata
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, voltou a descartar a criação de uma moeda digital de banco central, a chamada CBDC. Trata-se de uma forma digital de dinheiro emitida e controlada diretamente pelo banco central do país.
Em coletiva de imprensa na Casa Branca, na quinta-feira, ele classificou a possibilidade como totalmente afastada. Bessent reforçou que o foco da gestão é transformar os EUA em um polo para ativos digitais e criptomoedas.
“Esta administração foi muito clara: não haverá moeda digital do banco central, o que eu acho que seria o primeiro passo para o rastreamento, então descartamos essa possibilidade”, disse Bessent. “O mais importante que podemos fazer é permitir a entrada de ativos digitais nos Estados Unidos.”
O secretário também lembrou que a legislação sobre a stablecoin GENIUS foi aprovada com apoio bipartidário. Segundo ele, o Clarity Act tem reunido impulso legislativo parecido nos últimos meses.
“Quando você analisa os ativos digitais, toda a confusão que acontece, tudo o que você lê a respeito, é porque é o Velho Oeste offshore, então precisamos trazer isso para terra firme”, afirmou. “Portanto, eu encorajaria a Câmara e o Senado a aprovarem a Lei de Clareza.”
Durante sua audiência de confirmação, em janeiro de 2025, Bessent já havia dito não enxergar “nenhum motivo” para uma CBDC no país. Para ele, o instrumento serviria apenas a nações sem outras alternativas de investimento.
Parlamentares republicanos seguem a mesma linha e apontam que uma CBDC poderia abrir espaço para a vigilância estatal sobre transações financeiras. O tema ganhou tração após o início da atual gestão do presidente dos EUA, Donald Trump.
O Clarity Act, voltado a criar regras para o setor de criptomoedas, foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado neste mês, após atrasos ligados a disputas entre lobby bancário e defensores do setor.
Analistas, porém, ainda veem o projeto distante da aprovação final. Jaret Seiberg, diretor-gerente do Grupo de Pesquisa de Washington da TD Cowen, escreveu que o texto precisaria incluir padrões de conflito de interesses aplicáveis ao presidente dos EUA para conquistar votos democratas suficientes.














