- Gemini recebe US$ 100 milhões em Bitcoin dos Winklevoss
- Ações da Gemini saltam 25% no pré-mercado
- Corretora aposta em derivativos, IA e fintech cripto
As ações da Gemini registraram forte alta no pré-mercado após o fundo Winklevoss Capital anunciar um investimento estratégico de US$ 100 milhões financiado em Bitcoin. O aporte foi realizado ao preço de US$ 14 por ação, valor muito acima da cotação recente da companhia, que negociava perto de US$ 4,92 antes do anúncio.
O movimento ocorreu em um momento delicado para a empresa. No primeiro trimestre de 2026, a Gemini reportou prejuízo líquido de US$ 109 milhões, mesmo com avanço expressivo da receita. O faturamento trimestral subiu 42% na comparação anual, alcançando US$ 50,3 milhões.
Apesar do crescimento da receita, as despesas operacionais dispararam 73%, atingindo US$ 144,5 milhões. Os custos maiores foram puxados por salários, indenizações e investimentos em marketing. O prejuízo por ação ficou em US$ 0,93, abaixo das estimativas de Wall Street.
Mesmo assim, os números mostraram alguma melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a perda líquida havia sido de US$ 149,3 milhões. O ritmo de consumo de caixa segue elevado, mas o nível de perdas começou a desacelerar.
A plataforma também registrou crescimento no número de usuários ativos mensais, chegando a 589 mil clientes, alta de 17% em relação a 2025. Em contrapartida, a receita da área de negociações caiu 27%, para US$ 17,2 milhões, indicando menor atividade operacional dos usuários.
Sem o novo aporte, a posição de caixa da empresa vinha diminuindo rapidamente. A Gemini encerrou o trimestre com US$ 215,6 milhões em caixa, abaixo dos US$ 252,2 milhões registrados um ano antes.
Nos últimos meses, a companhia iniciou uma ampla reestruturação. A empresa reduziu 25% do quadro de funcionários e encerrou operações no Reino Unido, União Europeia e Austrália. O foco agora está concentrado em produtos considerados mais rentáveis e voltados ao mercado institucional.
Entre as principais apostas da corretora está a expansão no setor de derivativos. A Gemini recebeu licença de Organização de Compensação de Derivativos da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), permitindo atuação regulada em um segmento considerado mais lucrativo que o mercado à vista.
Além disso, a empresa ampliou investimentos em ferramentas de inteligência artificial, mercados de previsão e produtos financeiros voltados ao consumidor, incluindo cartões de crédito ligados ao setor de criptomoedas.
O aporte liderado pelos irmãos Cameron Winklevoss e Tyler Winklevoss também chamou atenção pelo preço pago nas ações. O valor de US$ 14 por papel ficou quase três vezes acima da cotação de mercado anterior ao anúncio, sinalizando forte confiança dos fundadores na recuperação da empresa.
A Gemini abriu capital em setembro de 2025 a US$ 28 por ação. Desde então, os papéis acumulam forte desvalorização, além de enfrentarem uma ação coletiva relacionada a valores mobiliários nos Estados Unidos.
Enquanto isso, o mercado de criptomoedas apresentou leve recuperação. O Bitcoin era negociado próximo de US$ 80.120, enquanto o valor total do mercado cripto girava em torno de US$ 2,76 trilhões.













