- Xi Jinping alerta sobre Taiwan e relação EUA-China
- Trump discute comércio, petróleo e tarifas com China
- Taiwan amplia tensão geopolítica entre EUA e Pequim
O presidente da China, Xi Jinping, alertou o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que uma condução inadequada da questão de Taiwan pode colocar as relações entre as duas maiores economias do planeta em “grande risco”. A declaração ocorreu durante a reunião bilateral realizada em Pequim, marcando o início de uma cúpula de dois dias entre os dois líderes.
Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que China e Estados Unidos poderão enfrentar “confrontos e até conflitos” caso o tema da independência de Taiwan saia do controle diplomático. O líder chinês reforçou que “a questão de Taiwan” continua sendo “o assunto mais importante nas relações China-EUA”.
Durante o encontro no Grande Salão do Povo, Xi reiterou que a independência de Taiwan e a estabilidade no Estreito de Taiwan “são tão irreconciliáveis quanto fogo e água”. Pequim mantém a posição de que Taiwan faz parte de seu território, enquanto o governo taiwanês rejeita a reivindicação chinesa.
Os Estados Unidos reconhecem oficialmente a política de “Uma Só China”, mas preservam relações estratégicas e comerciais com Taipei. O governo americano também mantém uma postura ambígua sobre como responderia militarmente em caso de ataque à ilha.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à CNBC que Trump compreende a sensibilidade do tema envolvendo Taiwan e é “muito, muito resoluto em suas respostas”.
Apesar da pressão sobre o tema geopolítico, as conversas entre Washington e Pequim também abordaram comércio, tarifas, energia e produtos agrícolas. Um comunicado da Casa Branca informou que Trump e Xi tiveram “uma boa reunião”, focada na ampliação da cooperação econômica entre os dois países.
Os dois lados também discutiram o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, especialmente diante das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Segundo autoridades americanas, Xi demonstrou interesse em ampliar a compra de petróleo dos EUA para reduzir a dependência chinesa da região.
No jantar oficial realizado após a reunião, Trump descreveu Xi como um “amigo” e afirmou que a relação entre China e Estados Unidos é uma das mais importantes da história mundial. O presidente americano declarou que ambos tiveram “discussões extremamente positivas e construtivas”.
Xi também citou a chamada “Armadilha de Tucídides”, conceito utilizado para descrever o risco histórico de conflito entre uma potência dominante e uma potência emergente. O líder chinês questionou se China e EUA conseguirão evitar esse caminho e atuar juntos pela estabilidade global.
A visita de Trump marca a primeira viagem de um presidente americano em exercício à China em quase dez anos. Desde a última visita oficial, as tensões comerciais cresceram, os EUA ampliaram restrições tecnológicas contra empresas chinesas e a indústria automobilística da China ganhou maior participação internacional.
Scott Kennedy, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, avaliou que Pequim chega às negociações em posição mais confortável do que em 2017. Segundo ele, a China conseguiu neutralizar parte significativa das medidas econômicas adotadas por Trump nos últimos anos.












