- Sam Bankman-Fried tem novo julgamento negado nos EUA
- Juiz critica defesa e chama alegações de conspiratórias
- Caso FTX segue com recurso pendente e condenação mantida
O juiz distrital dos Estados Unidos, Lewis Kaplan, negou o pedido de novo julgamento apresentado por Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX, reforçando a validade do veredito que o condenou por fraude. A decisão foi divulgada na terça-feira no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York.
Bankman-Fried havia argumentado que novas evidências demonstrariam que a corretora de criptomoedas não era insolvente. No entanto, Kaplan rejeitou o material apresentado, classificando as alegações como infundadas e sem base nos autos do processo.
Na decisão, o magistrado também criticou a estratégia da defesa ao mencionar depoimentos que não foram formalmente obtidos. “Ele poderia ter obtido, ou ao menos tentado compelir, o depoimento deles”, afirmou Kaplan. “Mas não fez nenhuma das duas coisas. Sua alegação de que a ausência deles (ou, em um caso, a decisão da testemunha de depor contra ele) foi produto de ameaças e represálias do governo é totalmente conspiratória e completamente contradita pelos autos.”
O pedido de novo julgamento havia sido protocolado em fevereiro, incluindo declarações atribuídas a Ryan Salame, ex-co-CEO da FTX Digital Markets, e Daniel Chapsky, ex-chefe de ciência de dados da empresa. Segundo Bankman-Fried, ambos teriam evitado testemunhar por medo. Ainda assim, o juiz destacou que não houve esforço legal suficiente para garantir esses depoimentos.
Na semana anterior à decisão, o próprio Bankman-Fried retirou o pedido, alegando não acreditar que teria um “julgamento justo” sob a condução de Kaplan. Apesar disso, o recurso segue em tramitação.
O ex-executivo foi considerado culpado em novembro de 2023 por sete acusações criminais relacionadas a fraude contra clientes, credores e investidores da FTX. Promotores classificaram o caso como uma das maiores fraudes financeiras da última década, envolvendo também o fundo Alameda Research, peça-chave na estrutura do grupo.
Após a condenação, Bankman-Fried recebeu uma sentença de 25 anos de prisão. Ele também solicitou um indulto ao atual presidente dos EUA, Donald Trump, que já declarou não ter planos de conceder o perdão.
Kaplan ainda criticou tentativas públicas do ex-CEO de sustentar sua narrativa fora dos tribunais. “Uma falha fatal dessa argumentação (e da presente moção) é que os supostos ‘fatos’ de Bankman-Fried já foram vistos antes”, disse o juiz. “Muitas vezes.”













