- Mineração de Bitcoin domina receita da Cango em 2025
- Prejuízo elevado ligado a custos e ajustes contábeis
- Venda de BTC financia expansão em infraestrutura de IA
A Cango Inc. (NYSE: CANG) fechou 2025 com prejuízo líquido de US$ 452,8 milhões, marcando seu primeiro ano completo atuando como empresa focada em Bitcoin. Mesmo com o resultado negativo, a companhia registrou receita de US$ 688,1 milhões.
A maior parte desse valor veio da mineração de criptomoedas. Ao todo, US$ 675,5 milhões foram gerados por essa atividade, o que representa mais de 98% da receita anual. A mudança de foco ocorreu após a entrada no setor em novembro de 2024.
Na ocasião, a empresa adquiriu 32 EH/s de capacidade computacional e iniciou operações em diversas regiões, incluindo América do Norte, Oriente Médio, América do Sul e África Oriental. Esse movimento marcou a transição da companhia para um modelo mais alinhado ao setor de criptos.
Apesar disso, a Cango ainda mantém seu negócio de comércio internacional de automóveis. No entanto, a contribuição foi limitada, com apenas US$ 4,8 milhões em receita no quarto trimestre.
De acordo com o diretor financeiro Michael Zhang, o prejuízo foi influenciado por custos de transformação considerados não recorrentes. Além disso, ajustes de valor justo impactaram os resultados, refletindo oscilações do mercado.
Os custos operacionais totais chegaram a US$ 1,1 bilhão em 2025. Somente no quarto trimestre, as despesas atingiram US$ 456 milhões. Entre os principais fatores, estão perdas de US$ 81,4 milhões em máquinas de mineração e US$ 171,4 milhões relacionadas à variação no valor de garantias em Bitcoin.
Em termos operacionais, a empresa minerou 6.594,6 BTC ao longo do ano, com média de 18,07 BTC por dia. No quarto trimestre, a produção aumentou para 18,68 BTC diários, indicando maior eficiência, embora com custos mais elevados.
Após o encerramento do período, a Cango também realizou a venda de aproximadamente US$ 305 milhões em bitcoins. A operação reduziu suas reservas em cerca de 60% e teve como objetivo quitar dívidas e reforçar o caixa.
A companhia agora direciona parte dos recursos para expandir sua atuação em infraestrutura de inteligência artificial, utilizando sua experiência em computação e energia para explorar novas fontes de receita.
“Estamos avançando em nossa transição para nos tornarmos um provedor de infraestrutura de IA”, disse Paul Yu, CEO da Cango, em comunicado. “Por meio do EcoHash, estamos aproveitando nossa experiência em computação escalável e redes de energia para fornecer soluções de inferência de IA flexíveis e econômicas. Com as primeiras adaptações de sites em andamento e o produto pronto para implantação, estamos posicionados para executar com foco e disciplina estratégica nesta nova era.”
O movimento reflete uma estratégia que também vem sendo adotada por outras mineradoras, que passam a utilizar reservas de Bitcoin como fonte de financiamento para projetos ligados à IA e data centers.













