- DOJ investiga Binance por transações ligadas ao Irã
- Sanções dos EUA ampliam pressão sobre a Binance
- Binance nega falhas e reforça regras de KYC
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprofundou o escrutínio sobre a Binance após abrir uma investigação para verificar se a corretora foi usada por operadores ligados ao Irã para contornar sanções americanas. O foco do caso, segundo as informações divulgadas, é entender se fluxos financeiros processados pela plataforma ajudaram a sustentar entidades associadas ao governo iraniano e a grupos militantes.
As apurações avançam com contatos feitos por autoridades a pessoas que conhecem as transações analisadas. O objetivo é reunir elementos sobre valores que passaram pela Binance e que, supostamente, teriam relação com a Guarda Revolucionária Islâmica e com o movimento Houthi, em meio ao aumento da vigilância dos EUA sobre o uso de criptomoedas em operações internacionais sob restrições.
Até o momento, o alcance exato da investigação ainda não foi detalhado. Também não está claro se a própria Binance será tratada como alvo central do processo ou se o trabalho do DOJ ficará concentrado apenas em usuários e empresas envolvidas nas movimentações suspeitas.
Relatos anteriores já haviam apontado uma exposição relevante da corretora a operações ligadas ao Irã. As reportagens mencionaram cerca de 2.000 contas conectadas ao país e quase US$ 2 bilhões em transferências relacionadas, o que elevou a pressão política e regulatória sobre a exchange em Washington.
Segundo as mesmas alegações, as parceiras Hexa Whale e Blessed Trust teriam participado da facilitação dessas operações, incluindo transações vinculadas a entidades governamentais iranianas e grupos militantes. As denúncias também afirmam que funcionários que levantaram alertas internos sobre possíveis irregularidades teriam sido suspensos ou desligados.
Esse conjunto de informações levou o senador Richard Blumenthal, de Connecticut, a iniciar sua própria investigação sobre a Binance. Em carta enviada ao CEO Richard Teng, o parlamentar solicitou dados sobre as transações, possíveis falhas de compliance, uso de criptomoedas para lavagem de dinheiro e os desligamentos de profissionais que teriam apontado riscos dentro da empresa.
Em resposta ao aumento da pressão no Congresso, a Binance contestou as acusações. Em comunicado divulgado em 6 de março, a corretora afirmou que mantém políticas de KYC e de cumprimento de sanções, acrescentando que as entidades sinalizadas foram removidas da plataforma após revisões internas e pedidos de autoridades policiais. A empresa também declarou que as demissões citadas não tiveram relação com problemas de conformidade.














