- Eric Trump critica bancos por lobby contra stablecoins
- Bancos tentam barrar rendimento de stablecoins nos EUA
- Debate regulatório sobre stablecoins cresce em Washington
Eric Trump, filho do atual presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar publicamente grandes instituições financeiras por sua postura em relação às criptomoedas e às stablecoins. Segundo ele, bancos tradicionais estão pressionando legisladores para impedir que plataformas de criptomoedas ofereçam rendimentos mais altos aos usuários.
A declaração foi publicada na quarta-feira na rede social X. No texto, Trump citou instituições como JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo, acusando-as de atuarem politicamente contra iniciativas que permitiriam às plataformas de criptomoedas pagar juros sobre ativos mantidos em stablecoins.
De acordo com o empresário, grandes bancos estariam tentando impedir que clientes tenham acesso a alternativas mais competitivas de rendimento financeiro.
“[Os grandes bancos] estão fazendo lobby incansavelmente para impedir que os americanos obtenham rendimentos mais altos em suas economias — enquanto tentam impedir que quaisquer recompensas ou benefícios sejam concedidos aos clientes”, escreveu Trump.
Ele também argumentou que os bancos oferecem retornos extremamente baixos sobre depósitos tradicionais. Segundo Trump, as instituições pagam entre 0,01% e 0,05% ao ano, enquanto as taxas praticadas pelo Federal Reserve giram em torno de 3,65%.
Na avaliação do empresário, essa diferença evidencia uma tentativa do setor bancário de preservar seu domínio sobre o sistema financeiro.
“Na verdade, trata-se de proteger o monopólio de baixas taxas de juros… Isso é contra o varejo, contra o consumidor e totalmente antiamericano”, disse Trump.
Eric Trump também está diretamente envolvido no setor de criptomoedas. Ele é cofundador da plataforma World Liberty Financial, que lançou a stablecoin USD1 e o token WLFI. A participação da família Trump no projeto tem gerado críticas de alguns analistas e políticos, que apontam possíveis conflitos de interesse relacionados ao cargo do presidente.
Do lado das instituições financeiras tradicionais, o argumento é diferente. Bancos afirmam que permitir rendimentos sobre stablecoins poderia levar a uma saída significativa de depósitos das instituições tradicionais, potencialmente deslocando trilhões de dólares do sistema bancário.
No início da semana, o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, defendeu que produtos financeiros com características semelhantes a depósitos bancários devem seguir regras equivalentes.
“Se você vai manter saldos e pagar juros, isso é um banco. Você deve ser regulamentado como um banco”, disse Dimon.
Essa interpretação foi contestada por Patrick Witt, diretor executivo do Conselho de Assessores do Presidente para Ativos Digitais. Segundo ele, a comparação entre stablecoins e depósitos bancários pode levar a conclusões equivocadas sobre a necessidade de regulamentação.
“Não é o pagamento de juros sobre um saldo em si que exige regulamentações semelhantes às dos bancos, mas sim o empréstimo ou a rehipotecação dos dólares que compõem o saldo subjacente”, disse Witt.
Enquanto o debate continua em Washington, a chamada Lei da Clareza — voltada à definição da estrutura regulatória para ativos digitais nos EUA — enfrenta atrasos no Congresso. As discussões têm sido marcadas por divergências entre representantes do setor bancário tradicional e empresas ligadas às criptomoedas.
Mesmo com negociações em andamento entre autoridades e representantes das duas indústrias, ainda não há consenso sobre como equilibrar inovação financeira e estabilidade do sistema bancário.














