- Warren questiona licença bancária de empresa cripto
- Participação estrangeira levanta alerta regulatório nos EUA
- OCC avalia pedido da World Liberty com cautela
A senadora Elizabeth Warren cobrou explicações do Escritório do Controlador da Moeda sobre o pedido de licença bancária apresentado pela World Liberty, empresa de criptomoedas associada ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante a audiência, Warren questionou se a companhia informou adequadamente a existência de um investidor estrangeiro relevante em sua estrutura societária. A preocupação surgiu após relatos de que um alto funcionário dos Emirados Árabes Unidos teria adquirido discretamente uma participação de 49% no empreendimento pouco antes do retorno de Trump à presidência.
A senadora pediu esclarecimentos diretos ao chefe do Office of the Comptroller of the Currency (OCC), Jonathan Gould, sobre a transparência do pedido. “A World Liberty divulgou que a empresa do funcionário dos Emirados Árabes Unidos era acionista?”, questionou Warren durante a sessão.
Gould evitou comentar detalhes de solicitações em análise, afirmando que a agência segue procedimentos padronizados para todos os pedidos. Segundo ele, a avaliação será conduzida de acordo com os protocolos técnicos e regulatórios aplicáveis ao setor bancário.
Warren argumentou que as regras do OCC exigem a divulgação completa de qualquer acionista relevante com participação igual ou superior a 10%. Na avaliação da senadora, a ausência dessa informação poderia justificar a rejeição da licença. Ela também solicitou acesso à versão integral da documentação para fins de supervisão legislativa.
O caso foi apresentado por Warren como uma questão que envolve tanto segurança nacional quanto possíveis conflitos de interesse. Para a parlamentar, a combinação de participação estrangeira e vínculos com um presidente em exercício pode representar riscos institucionais caso a autorização seja concedida.
Em resposta a questionamentos sobre eventual pressão política, Gould afirmou que a única influência que percebeu durante o processo “veio de vocês”, em referência aos legisladores, e reiterou que a análise seguirá critérios técnicos, sem tratamento diferenciado.
O episódio evidencia o aumento das tensões em Washington em torno da regulamentação de criptomoedas e da entrada de empresas do setor no sistema bancário tradicional. A concessão de licenças nacionais tem sido vista como um passo estratégico para projetos que buscam integrar serviços cripto a operações financeiras convencionais.
Ao mesmo tempo, o debate reflete o escrutínio crescente sobre estruturas de propriedade, transparência e governança em iniciativas que conectam ativos digitais ao sistema financeiro dos Estados Unidos.














