- Rússia reavalia stablecoin atrelada ao rublo
- Banco Central analisa criptomoedas e ativos monetários
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A Rússia considera revisar sua postura histórica em relação às stablecoins atreladas a moedas fiduciárias e pode avaliar a emissão de uma versão nacional ainda em 2026. A sinalização partiu de um alto executivo do Banco Central da Rússia (CBR), indicando que o tema entrou definitivamente na agenda regulatória.
A declaração foi feita pelo primeiro vice-presidente da autoridade monetária, Vladimir Chistyukhin, durante a conferência Alfa Talk, promovida pelo Alfa-Bank. O evento teve como tema “Ativos Financeiros Digitais: Nova Arquitetura de Mercado” e marcou uma mudança relevante no discurso oficial.
Segundo ele, “Planejamos realizar um estudo este ano para reavaliar a situação. De fato, nossa posição tradicional é que isso não é permitido, mas levando em consideração as práticas de diversos países estrangeiros, reavaliaremos os riscos e as perspectivas aqui e também submeteremos isso à discussão pública.”
Até recentemente, o CBR defendia posição contrária à circulação ampla de criptomoedas no país, priorizando o desenvolvimento do rublo digital. No entanto, ao longo de 2025, o regulador passou a adotar uma abordagem mais flexível.
Entre as medidas implementadas, está a criação de um regime experimental para transações com criptomoedas, além da autorização para investimentos em derivativos ligados a esses ativos. Em seguida, foi apresentado um conceito abrangente de regulamentação que reconhece criptomoedas descentralizadas, como o Bitcoin, e stablecoins como “ativos monetários”.
A possível emissão de uma stablecoin nacional ocorre em meio à pressão crescente do Ocidente sobre mecanismos utilizados por entidades russas para manter liquidações internacionais. O foco recai especialmente sobre a A7A5, stablecoin atrelada ao rublo e emitida no Quirguistão por empresa ligada a interesses russos.
A A7A5 teria movimentado mais de US$ 100 bilhões no primeiro ano de operação e alcançado capitalização superior a US$ 500 milhões, tornando-se a maior stablecoin não lastreada em dólar do mercado. Apesar da ausência de regulamentação específica para stablecoins, Moscou a classificou como ativo financeiro digital, permitindo sua utilização em liquidações internacionais por empresas russas.
Paralelamente, o Ministério das Finanças informou que o volume diário de negociações com criptomoedas no país já atinge cerca de 50 bilhões de rublos, equivalente a aproximadamente US$ 650 milhões. O uso de criptos também se expandiu entre cidadãos, diante das restrições impostas ao sistema financeiro tradicional desde o início da guerra na Ucrânia.
Caso o estudo avance, a Rússia poderá estabelecer um novo instrumento de pagamento digital alinhado às suas necessidades comerciais e financeiras, consolidando a integração das criptomoedas à estrutura econômica do país.














