- Paxful multa US$ 4 milhões por crimes
- Falhas em KYC e lavagem de dinheiro
- Bitcoin ligado a atividades ilegais
A Paxful Holdings Inc. foi condenada por um tribunal federal dos Estados Unidos ao pagamento de uma multa criminal de US$ 4 milhões, após admitir participação em uma série de infrações graves relacionadas ao uso de sua plataforma de criptomoedas. A decisão judicial ocorre após a empresa se declarar culpada de acusações como conspiração para promover prostituição ilegal, violação da Lei de Sigilo Bancário e transmissão consciente de valores provenientes de crimes.
De acordo com os autos, o Departamento de Justiça havia estimado inicialmente uma penalidade de US$ 112,5 milhões. No entanto, uma análise independente das finanças da empresa concluiu que a Paxful não teria capacidade de arcar com valor superior a US$ 4 milhões, montante que acabou sendo homologado pelo juiz responsável pelo caso.
A penalidade chama atenção por ser inferior a outras sanções recentes aplicadas no setor de criptomoedas. Em janeiro de 2025, a BitMEX foi obrigada a pagar US$ 100 milhões por falhas em programas de KYC (Conheça Seu Cliente) e de combate à lavagem de dinheiro. No mesmo período, a KuCoin fechou acordo de US$ 297 milhões por irregularidades semelhantes.
Fundada como uma plataforma peer-to-peer de negociação de Bitcoin e outros ativos digitais, a Paxful permitia a compra e venda de criptos por meio de dinheiro, cartões-presente e cartões pré-pagos. Entre janeiro de 2017 e setembro de 2019, a empresa processou mais de 26,7 milhões de transações, movimentando quase US$ 3 bilhões e gerando receita superior a US$ 29,7 milhões.
Segundo o Procurador-Geral Adjunto A. Tysen Duva, a Paxful “lucrou com a movimentação de dinheiro para criminosos”. As investigações apontam que a empresa teria promovido a ausência de controles rigorosos como atrativo para determinados usuários. A plataforma passou a ser utilizada em fraudes, golpes românticos, extorsão e tráfico de pessoas.
Um dos pontos mais sensíveis do processo envolveu o site Backpage, associado à prostituição ilegal e exploração sexual. Documentos indicam que os fundadores celebraram o chamado “Efeito Backpage”, que teria impulsionado o crescimento da base de usuários. Entre 2015 e 2022, quase US$ 17 milhões em Bitcoin foram movimentados para o Backpage e páginas semelhantes, gerando pelo menos US$ 2,7 milhões em lucros diretos.
As autoridades também destacaram a ausência de relatórios obrigatórios de atividades suspeitas, exigidos pela legislação americana para empresas de transferência de valores. Mesmo ciente de práticas ilícitas, a Paxful deixou de comunicar as operações às autoridades.
Em julho de 2024, Artur Schaback, cofundador e ex-diretor de tecnologia, declarou-se culpado por conspiração relacionada à falha na implementação de um programa eficaz de combate à lavagem de dinheiro. Ele deixou o conselho da companhia e enfrentou pena de até cinco anos de prisão.
Já em 1º de outubro de 2025, a Paxful anunciou o encerramento definitivo das atividades, concluído oficialmente em 1º de novembro de 2025, atribuindo o fechamento à “má conduta histórica” de seus fundadores e aos altos custos jurídicos.














