- ERC-8004 leva agentes de IA ao Ethereum
- Padrão cria economia descentralizada para IAs
- Reputação e identidade de IA na blockchain
A Ethereum está prestes a ativar na rede principal um novo padrão voltado à atuação de agentes de inteligência artificial. Chamado de ERC-8004, o modelo define regras para que IAs operem de forma autônoma e interajam economicamente dentro do ecossistema da blockchain.
A proposta foi apresentada em agosto de 2025 e descreve uma estrutura que permite a esses agentes digitais se conectarem a diferentes plataformas, organizações e aplicações construídas sobre o Ethereum. A meta é viabilizar uma economia descentralizada onde agentes de IA possam oferecer serviços, receber pagamentos e construir reputação.
“Ao permitir a descoberta e a portabilidade da reputação, o padrão ERC-8004 possibilita que agentes de IA interajam entre organizações, garantindo que a credibilidade seja disseminada por todo o mundo”,
escreveu a Ethereum na plataforma de mídia social X na terça-feira.
“Isso abre um mercado global onde os serviços de IA podem interoperar sem intermediários.”
O padrão também introduz modelos de confiança organizados por níveis de risco. Isso significa que os agentes podem executar desde tarefas simples até atividades mais sensíveis, com mecanismos graduais de verificação e segurança.
Davide Crapis, líder de IA da Fundação Ethereum, afirmou que a rede está em uma “posição única” para se tornar a plataforma que consolida a interação entre IAs. Parte da estratégia envolve aproximar o setor de inteligência artificial da infraestrutura descentralizada oferecida pela blockchain.
Embora o anúncio oficial não traga uma data exata, Marco De Rossi, chefe de IA da MetaMask e um dos coautores do ERC-8004, indicou que a implementação na rede principal deve ocorrer “provavelmente por volta das 9h da manhã de quinta-feira, horário do leste dos EUA”.
O padrão é baseado em três registros principais implementados por meio de contratos inteligentes leves. Eles podem ser usados tanto na rede principal quanto em soluções de camada 2.
O primeiro é o registro de identidade, que fornece a cada agente um identificador portátil e resistente à censura. O segundo é o registro de reputação, que permite o envio de avaliações assinadas por usuários e clientes. Já o terceiro é o registro de validação, voltado à verificação de tarefas realizadas pelos agentes, com respostas registradas na blockchain.
O texto da proposta também reconhece riscos técnicos, como ataques Sybil, em que um agente malicioso cria múltiplas identidades falsas. Além disso, o padrão não garante de forma criptográfica que as habilidades declaradas por um agente sejam totalmente confiáveis, dependendo de sistemas de reputação, validação e atestações de ambiente de execução para reduzir essas vulnerabilidades.












