- Buterin critica “corposlop” e reforça soberania digital nas criptos
- Privacidade e controle do usuário ganham foco contra táticas anti-usuário
- Ferramentas abertas e locais reduzem dependência e vazamento de dados
Vitalik Buterin voltou a discutir o futuro da internet e das criptos ao reagir a previsões sobre mudanças culturais e tecnológicas entre 2026 e 2030. Ele disse concordar com boa parte das ideias, mas chamou atenção para uma divisão que considera cada vez mais explícita: a separação entre a chamada “web aberta”, que ele descreve como corporativa, e uma “web soberana”, mais alinhada à autonomia do usuário.
Na leitura do cofundador do Ethereum, essa disputa explica parte da postura de maximalistas de Bitcoin ao longo dos anos. Buterin sugeriu que a resistência a ICOs e a falta de interesse em tokens além do BTC, em muitos casos, buscavam proteger o Bitcoin como algo “soberano” e distante do que ele classificou como “lixo corporativo”.
Ao mesmo tempo, ele criticou as tentativas de alcançar esse objetivo por meio de restrições que reduzem o poder do usuário. “O grande erro que muitos deles cometeram foi tentar atingir esse objetivo com repressão governamental ou desempoderamento do usuário (mantendo o script do bitcoin limitado e rejeitando completamente muitas categorias de aplicativos)”, escreveu Buterin. “Mas o medo deles era real.”
Buterin também detalhou o termo “corposlop”, apontando um conjunto de práticas que, segundo ele, misturam “poder de otimização corporativa, uma aura de respeitabilidade por ser uma empresa com uma marca elegante e sofisticada, e um comportamento que é exatamente o oposto de respeitável, porque é isso que é necessário para maximizar o lucro”. Ele citou empresas que, na sua visão, criam experiências impessoais, limitando escolhas enquanto afirmam servir ao público.
A Apple apareceu como exemplo na discussão. Buterin admitiu ressalvas, mas destacou que a empresa teria traços que fogem do padrão que ele critica. “Eles atendem os usuários não perguntando constantemente ‘o que os usuários querem neste trimestre’, mas sim tendo uma visão de longo prazo bem fundamentada”, escreveu ele. “Eles dão grande ênfase à privacidade. Resistem e criam tendências em vez de segui-las. Eu só gostaria que eles tivessem a coragem de acabar com suas práticas monopolistas e adotar uma estratégia que priorize o código aberto. Isso pode prejudicar seu valor de mercado, mas o homem precisa viver por algo maior do que o valor de mercado.”
Para Buterin, a noção de soberania mudou desde os anos 2000. Se antes o foco estava em evitar interferência estatal, agora inclui proteger a privacidade digital e a própria atenção contra táticas corporativas voltadas a lucro e engajamento. “Significa também fazer as coisas porque você acredita nelas e declarar independência do conceito homogeneizador e sufocante do ‘meta’”, escreveu Buterin, defendendo que construtores priorizem ferramentas que reforcem autonomia.
Entre os exemplos citados, ele destacou aplicações locais com preservação de privacidade, redes sociais com controle real do feed pelo usuário, soluções financeiras que ajudem a construir patrimônio sem incentivar alavancagens extremas, ferramentas de IA abertas e privadas, além de DAOs que apoiem comunidades com objetivos claros. “Seja soberano”, concluiu ele. “Rejeite a baboseira corporativa. Acredite em ALGO.”












