- Paradigm investe em stablecoin brasileira BRLV
- Crown mira expansão institucional com juros do Brasil
- Stablecoin BRLV supera mercados emergentes em liquidez
A Paradigm realizou seu primeiro investimento no Brasil ao liderar uma rodada Série A de US$ 13,5 milhões na Crown, startup por trás da stablecoin BRLV. Com o aporte, a empresa passou a ser avaliada em US$ 90 milhões, reforçando a presença de soluções ligadas ao real para investidores institucionais que atuam com criptomoedas.
Ricardo de Arruda, sócio de investimentos e pesquisa da Paradigm, destacou que a equipe da Crown e seu histórico no setor financeiro foram decisivos. Ele afirmou que a expansão acelerada da empresa também desempenhou papel central na escolha.
“Os efeitos de rede de liquidez que você constrói quando é a principal stablecoin de uma moeda são extremamente fortes. É por isso que Tether e Circle estão indo tão bem”,
disse. Segundo ele, a Crown já demonstra vantagem expressiva em liquidez entre os tokens lastreados em real.
A startup afirma que o BRLV, seu token atrelado ao real brasileiro e lastreado integralmente em títulos públicos, tornou-se a maior stablecoin de mercado emergente. A tração ocorreu a partir de uma estrutura desenhada para atender tanto ao apetite institucional por rendimento quanto às exigências de segurança.
John Delaney e Vinicius Correa cofundaram a Crown após identificarem brechas no mercado local. Delaney, que estudou arbitragem de Bitcoin no início da década de 2010, explicou que dois fatores moldaram a criação da BRLV.
“As taxas de juros no Brasil são realmente altas… construímos nossa arquitetura para resolver esse problema, em primeiro lugar”,
afirmou. Ele destacou ainda que grandes instituições demandam “segurança de nível institucional”, algo que a empresa afirma ter priorizado desde o início.
A Crown diz que o BRLV já supera R$ 360 milhões em subscrições e, por enquanto, está disponível apenas para clientes institucionais. O rendimento vem dos títulos públicos que lastreiam o token, oferecendo exposição direta às taxas brasileiras. “Onde estamos vendo muita demanda é no acesso institucional à taxa de juros brasileira, algo como uma operação de carry trade”, comentou Delaney.
Com o Brasil figurando entre os maiores mercados de criptomoedas do mundo, a Crown projeta expansão tanto no varejo quanto no segmento institucional. A meta divulgada pela empresa é ambiciosa: alcançar R$ 1 trilhão em BRLV circulando nos próximos dez anos.












