O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que Washington continuará mantendo conversas com o Irã, mesmo após declarar oficialmente o fim do cessar-fogo estabelecido entre os dois países no mês passado.
A declaração foi publicada na Truth Social e indica que as negociações diplomáticas seguirão abertas, apesar da deterioração do acordo que havia reduzido temporariamente as hostilidades no Oriente Médio.
Segundo Trump, a iniciativa para retomar o diálogo partiu do próprio governo iraniano.
“Eles nos pediram para continuarmos as ‘conversas’”, escreveu o presidente. Em seguida, acrescentou que os Estados Unidos aceitaram a proposta, mas reforçou que a trégua não está mais em vigor.
“Mas os Estados Unidos já deixaram claro para eles, sem rodeios, que o cessar-fogo ACABOU!”, escreveu Trump.
Até o momento, a imprensa estatal iraniana não confirmou nem desmentiu que Teerã tenha solicitado a continuidade das negociações, mantendo indefinida a posição oficial do país sobre as declarações do presidente norte-americano.
Enquanto isso, informações divulgadas por autoridades dos EUA apontam que representantes dos dois lados devem participar de novas "conversas técnicas", em uma tentativa de preservar o canal diplomático mesmo diante da possibilidade de novos confrontos militares.
Durante a cúpula da OTAN realizada nesta semana em Ancara, Trump já havia declarado que o cessar-fogo havia chegado ao fim após ataques atribuídos ao Irã contra navios comerciais próximos ao Estreito de Ormuz.
Na ocasião, o presidente afirmou:
“Não quero mais lidar com o Irã”.
Pouco depois, ao retornar da reunião, Trump revelou que autoridades iranianas voltaram a procurar Washington para discutir um possível acordo.
“Eles ligaram há pouco tempo. Estão muito interessados em fechar negócio”, disse. “Só não sei se são dignos de um acordo. Não sei se vão honrar o acordo. Esse é o problema.”
Do lado iraniano, autoridades acusam os Estados Unidos de descumprirem o entendimento preliminar. Entre as críticas estão a retomada das sanções contra o setor petrolífero, a continuidade das ameaças militares e ações relacionadas ao Estreito de Ormuz.
Em resposta aos ataques contra três embarcações mercantes na região, as forças armadas dos Estados Unidos realizaram novas operações militares. Na sequência, o Departamento do Tesouro revogou a isenção que permitia ao Irã exportar petróleo.
Os mercados acompanharam os desdobramentos com atenção. Os contratos futuros do petróleo Brent recuaram para US$ 76,30 por barril, enquanto o WTI dos Estados Unidos foi negociado a US$ 71,87.
A evolução das negociações entre EUA e Irã continua sendo monitorada pelos investidores, já que novas tensões no Oriente Médio podem influenciar o preço do petróleo, o desempenho das bolsas globais e também o mercado de criptomoedas, incluindo o Bitcoin.

