A Ledger apresentou o Ledger Agent Stack, um conjunto de ferramentas de código aberto que permite a agentes de inteligência artificial interagir com carteiras de criptomoedas e aplicações blockchain. O objetivo é automatizar tarefas sem retirar do usuário o controle sobre seus ativos.
Com a novidade, agentes de IA poderão consultar saldos, preparar swaps, organizar operações e sugerir transações. No entanto, nenhuma movimentação será executada automaticamente.
Cada operação dependerá da aprovação explícita do usuário em um dispositivo físico da Ledger. Dessa forma, mesmo que a IA prepare a transação, a decisão final continuará sendo humana.
O lançamento acompanha o crescimento da inteligência artificial no mercado de criptomoedas. Empresas do setor estão incorporando agentes para automatizar tarefas, mas a Ledger escolheu um modelo mais conservador.
Enquanto algumas carteiras já permitem que bots executem operações dentro de regras definidas pelo usuário, a Ledger limita os agentes à criação de propostas. A assinatura da transação permanece protegida pelo hardware da empresa.
Segundo a companhia, essa abordagem reduz os riscos de erros da IA e também dificulta ataques que tentem assumir o controle das carteiras digitais.
"À medida que a superfície de ataque envolvendo agentes de IA aumenta, as estratégias de defesa perdem força, dependendo excessivamente de firewalls de software, proteções LLM e filtragem de entrada", disse um representante da Ledger. "Até mesmo grandes corporações como Starbucks e Meta estão desativando seus agentes de IA devido a preocupações com a privacidade e agentes maliciosos."
A empresa afirma que as ameaças relacionadas à inteligência artificial crescem mais rapidamente do que os mecanismos de proteção. Segundo seus dados, 26,1% das habilidades utilizadas por agentes de IA apresentam pelo menos uma vulnerabilidade de segurança.
Ao mesmo tempo, a Ledger destaca que a IA também pode diminuir falhas humanas. A empresa estima que cerca de 60% das violações de segurança sejam provocadas por erros cometidos pelos próprios usuários.
Por isso, a companhia defende um modelo híbrido. Nesse formato, a inteligência artificial auxilia na preparação das operações, enquanto o usuário continua responsável pela autorização final.
"Ao ancorar cada decisão de assinatura no hardware, o Ledger Agent Stack foi projetado para garantir que, mesmo que o ambiente de software de um agente seja comprometido, os fundos não possam ser movimentados e as informações confidenciais não possam ser acessadas sem a confirmação humana explícita do signatário Ledger", acrescentou.
Além do mercado de criptomoedas, a Ledger pretende ampliar o uso de seus dispositivos entre desenvolvedores. O suporte ao padrão OpenPGP permite utilizar o hardware para proteger chaves de API e credenciais de agentes de IA.
Os dispositivos também podem funcionar como chaves de autenticação para plataformas como GitHub, npm, 1Password e Discord, oferecendo uma camada adicional de segurança.
O Ledger Agent Stack inclui ainda um conjunto de instruções em Markdown para integrar o hardware aos fluxos de trabalho de agentes inteligentes. MoonPay e Shisa.ai já implementaram esse recurso em seus produtos.
O lançamento integra o roteiro de inteligência artificial da Ledger para 2026. Nos próximos meses, a empresa pretende apresentar novas ferramentas voltadas à identidade digital, execução de agentes e mecanismos de comprovação de presença humana. Fundada em 2014, em Paris, a companhia também avalia realizar uma oferta pública inicial de ações, que pode elevar seu valor de mercado para mais de US$ 4 bilhões.

